quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Você é o meu, por que não?



Eu sempre fui usuária assídua do nosso amigo trem. Lembro até hoje da minha primeira "viagem" (e não foi uma bad trip, não!). A passagem ainda custava uns míseros 50 centavos (hoje pagamos a absurda tarifa de 1,75!!!!), a modernosa estação São Leopoldo acho que nem existia ainda e eu era uma caloura na universidade. Em busca do primeiro emprego. 17 anos. And a ticket to ride!!! (but at that time I still cared!!!!). O combinado era que minha irmã da cidade grande me esperaria pra almoçar comigo e me dar maiores instruções geográficas sobre como chegar na escola em que faria minha primeira entrevista de emprego. Não me perdi, não peguei o "estágio" mas conheci o TREM!!!!

E desde aquele longinquo tempo (10 anos aproximadamente), eu tenho sido presa fácil dos vendedores ambulantes do trem. Bala de goma (que como nesse exato momento, mas comprei ontem, não em 2000), chaveiros, escapulários, canetas, docinhos e adesivos. Sim, confesso, os vendedores do trem são meu ponto fraco. E me levam à falência.

Se existe um sentimento que eu bato pé contra é a tal da pena. Odeio que sintam pena. De mim, dos outros, não importa. Se é pra sentir pena, melhor não sentir nada. Até indiferença é melhor. Mas, enfim, nesses dados momentos, eu acho que a tal da pena que eu taaaanto repugno, toma conta de mim. E eu começo a catar as moedas perdidas pela bolsa pra comprar qualquer bugiganga que eles oferecerem. Sei lá, eu acho que eu realmente tou ajudando alguém. E tento acreditar que ajudar não é sentir pena não. Enfim. Vai saber.

Mas ontem eu questionei se faço isso genuinamente pra ajudar ou pra me sentir melhor depois. Aquela velha história da culpa. Por ter desejado mal a alguém. Mesmo que por 10 segundos. Por ter mandando pessoas tomarem no cu (sempre sem acento, please!). Mesmo que só em pensamento. Por não ser tão boa e idônea como eu deveria e desejo ser.

Eu não vou na igreja, fato. Então, creio eu, que minha expiação vem assim, acumulando quinquilharias dos ambulantes. Ah, e também sempre pego panfletos na rua. Tento tirar um pouco do peso das costas. Se é que adianta. Stairway to heaven: vou construindo a minha assim. Para o alto e avante!

3 comentários:

Wagner disse...

Food for thought: essa "expiação de pecados" explica tua atitude "quando bebo fico rica"?

Francielle disse...

Sou das que cata panfletos também uhu! O Fausto odeia ir comigo a Porto Alegre, eheheheheheh

Rosângela Grub Costa disse...

Eu catava também, não cato mais..ahahaha.