quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Duas perdidas numa noite suja



Todo mundo tem uma amiga louca. Doida varrida. Sem nocao total! E eu tenho a minha. Incomparável. Inseparável. Janaina. Que jah me deu muitos momentos de alegria e gargalhadas intermináveis. Adoro, amo ela.

Ela eh doida. Mas eh uma das doidas mas sensatas que conheço, como jah disse pra ela milhares de vezes. E eh por isso que eh sempre maravilhoso estar na companhia dela. Porque ela nao julga, nao critica, nao condena. Fala alto. Mas sabe falar manso tambem. Tem espírito livre. Mente aberta. Eh do clube da "gente certa" da minha vida.

Sair com a Janaina sempre implica em ir pra botecos furrecos. Orgias alimentares. Papos que oscilam entre o escatológico e o filosófico. A gente fala de sexo anal e de Freud. Bizarro. Tragoleus que nos deixam com ressaca moral no dia seguinte. Historias bizarras. Mendigos que nos pedem cerveja. Passeios "noturnicos" pela decadente San Hell. Tardes no jah falecido Manhattan "jogando sinuca" e bebendo ateh cair. Pessoa essa que me escuta. Que me ouve. Que me manda ah merda quando eu tou me fazendo de vitima. Que berra no meio da rua meu nome pra me deixar com vergonha. Que me liga as 3 da manha e nao lembra o motivo.

Janaina, um dos meus orgulhos. Namorada do Joilton, meu grande amigo também. Feliz pela felicidade deles. Casal que admiro e torco sempre pela eternidade deles. Que sao praticamente opostos e mesmo assim se amam, se aceitam, sao cúmplices. Respeito isso.

Hoje eu e a Jana fomos tomar cerveja com o pretexto de comer pasteis. E deu no que deu. No que sempre dah. Pequenos momentos que se tornam grandes.

Ela eh meio preguiçosa as vezes. Nao se pilha pras minhas indiadas de recem solteira que topa ateh jogar pedrinha nagua. Desesperada, confesso. Mas ela sabe que eu sei que nao eh por mal. A vida faz dessas com a gente.

Janaina. Minha amiga mais pirada. Que me enche de orgulho porque eh de gente doida que o mundo precisa. Gente que nao tem medo de ser feliz. Que sabe o que quer.

Jana, eu te amo! E acabei de lembrar que eu deixei os pasteis que a gente nao comeu na bolsa, vou lah pegar antes que fiquem podres. ;)


(meu laptop irlandes eh de fases. algumas vezes aceita acentos, noutras nao. sorry, portugues!)

A doce ilusão



Eu tinha 16 anos e namorava já há um ano. Tinha certeza de que aquele cara seria o pai dos meus filhos. Que ele era o "The One". My soulmate. My other half. A metade da minha laranja. O meu futuro marido. Sim, naquela época eu ainda pensava em casar (tradicionalmente) e ter filhos. Sim. Acredite. E lembro que, nessa mesma época, eu tive que ouvir da minha digníssima irmã que eu só poderia "tá louca se eu achava que ia ficar com aquele guri pro resto da vida." "Tu é muito nova, Helena! Tem muito pra viver. Muita gente pra conhecer." Eu fiquei furiosa. Lasers saindo dos olhos. "Sua agourenta", eu devo ter pensado. E ela só ria. Desgraçada! E, passados 12 anos que eu comecei meu primeiro namoro "sério", eu tenho que rir, mas gargalhar, chorar de tanto dar risada pensando que (MEU DEUS) eu cheguei a pensar que aquele cara era O cara. Não, nada contra. Não tou cuspindo no prato que comi. Até hoje eu e ele somos bons amigos. Eu, pasmem, consigo fazer dessas. Deixar o passado pra trás e conviver com as pessoas numa boa. Preservando assim, algo que algum dia foi bonito. Válido. Infinito enquanto durou. E ele foi SIM o cara. Mas pra Helena dos 15, dos 16 e dos 17. Full stop.

Refletindo um pouco mais sobre o que minha amada irmã disse, ela tinha razão. Óbvio. Mas eu, completamente apaixonada, com 16 anos e todos os sonhos e hormônios possíveis passando pelo corpo, nunca iria aceitar uma coisa dessas. Devia ser ciúmes dela. Só porque eu tinha um namoro perfeito. Risos. É, por isso que viver é sempre engraçado e surpreendente. Se eu e ele ainda estivéssemos juntos, estaríamos completando agora em outubro 12 anos juntos. Dá pra imaginar uma coisa dessas? Eu, sinceramente, não consigo.

Conheço gente até que conheceu o grande amor na época da escola e tão juntos até hoje. Acho lindo. Acho o máximo. Mas, raro, infelizmente. No meu caso, felizmente. Porque desde que eu fiquei "solteira" em 2001, no auge dos meus 18 anos, eu pude fazer tudo o que eu queria, sem ter que pensar no outro (porque, por mais independentes e senhoras de si que nós mulheres digamos que somos, a gente sempre pensa no outro SIM, vai mentir pra vó!!!). Então fiz minha faculdade, comecei a dar aula, viajei bastante, conheci gente, tive dezenas de micro relacionamentos que não vingaram. Mas que foram deveras agradáveis e engrandecedores. E até hoje rendem horas de conversas com as amigas nas mesas de bar. "Lembra do Fulano?!? BAAAAH!"

Chegando nos 27, eu achava que tava pronta. Pronta pra um relacionamento de verdade. Verdade verdadeira. Cansei de perder tempo. But, on the other hand, a gente na verdade nunca tá pronto. As coisas acontecem quando a gente menos espera. Principalmente as boas. Então, não existe essa de estar "pronto" ou não. Existe o gostar. O tal do "click-click", que o meu amigo Gian tanto gosta de usar. "Tem que dar click-click, Helena!" É, sem click-click não vale a pena, não mais a essa altura do campeonato. Perder tempo não dá. Não mais.

E é aí que eu me pego pensando em todos os caras que a gente conhece, se relaciona, em todas aquelas paixonites que não serviram pra nada, que só nos fizeram sofrer e perder tempo. Ah, eu sou radical, às vezes. Mas, pensando bem, se não fossem esses caras, a gente não saberia TANTO o que quer. Ou melhor ainda, o que NÃO quer. Agradeço a eles, a todos os caras que me ignoraram, me fizeram sofrer, me traíram, não me deram valor, não me quiseram, porque eles fizeram de mim uma mulher. Não uma guria. Boba, ingênua. Mas uma mulher que sabe o que não quer. Que não acredita em desculpas esfarrapadas. Que desconfia da própria sombra. Que tem problemas em se relacionar de verdade porque já sofreu demais. É ressabiada, macaca velha. Mas, que, felizmente, sabe reconhecer o amor verdadeiro. Sabe quando deve e quando não deve "investir". Que se doa, se joga, não pensa duas vezes, vai até o fim. Não tem medo de dar a cara à tapa e finge ser cautelosa. Serena. Tranquila. Que ama e não consegue falar. E sofre por dentro por isso. Que faz de tudo pra ser prática e racional, mas acaba sendo consumida pela paixão e vive, respira e exala amor. E se fode por isso.

Eu sou um zero à esquerda em se tratando de amor, confesso. Descobri isso a pouco tempo. Minhas amigas vão me xingar quando lerem isso. Porque elas acham que não tem problema nenhum comigo, não. Mas, admito, sou um fracasso. Meto os pés pelas mãos, perco a cabeça, faço tudo errado.

E, passados 12 anos de idas e vindas em relacionamentos, eu posso afirmar: Eu sou mais inteligente solteira. Pronto, falei!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Desistir, jamais!!!



Eu nunca vi problema nenhum em desistir das coisas. Deixá-las pra trás. “Tirar o time de campo”. Desfrutar o máximo de uma situação e depois não querer mais. Sair por cima. Sair com classe. Leave the boat before it sinks. “Leave the party while the music is still playing”, como me disse o grande Gavin, meu teacher na África do Sul, quando viu que eu tava desesperada porque não queria voltar pra minha terra, deixar um grande amor pra trás e voltar pro meu mundo real. Ele tava certo.

Tem gente que encara desistência como sinônimo de fraqueza. Discordo. Chutar baldes faz bem. Deixar as coisas que não nos servem mais na hora certa. Ou aquelas que não tem mais solução. Que não tem como funcionar. Melhor do que ver o barco afundar e não ter ao menos um colete salva-vidas por perto pra amenizar a situação.

E parece que a gente acaba desenvolvendo ao longo dos anos um tipo de “feeling” que nos possibilita reconhecer quando eh a hora certa de entrar num bote pra evitar bater num iceberg depois. Esperta a natureza!

Eu prolonguei relacionamentos que não faziam mais sentido nenhum por medo. Medo de ficar sozinha, confesso. De me arrepender depois. De magoar o outro. enrolei em empregos que nada mais me acrescentavam em nome da tal “estabilidade”. tentei manter amizades que sabia que não valiam a pena.

Agora eu sei que desistir pode ser sempre bom. Tomar ou aceitar uma decisão eh sempre melhor do que não fazer nada. Ficar atônito. Vendo o Titanic indo pro saco. E morrer congelado. Com frio e com dor. E molhado.

Desistir. Rima com sorrir. Com prosseguir. Com partir.

E eu vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amiga do Rei. (não o Roberto muito menos o Elvis, mas aquele que sabe quem eu sou e como eu sou).

Tempo amigo, seja legal!




Nos últimos meses, eu tenho insanamente desejado que meus dias tivessem, no mínimo, umas 30 horas. Dessas 30, eu dormiria umas 10. (preguiçosa? Capaz!) Umas outras 10 seriam dedicadas a funções de trabalho e tarefas domésticas. Pronto! Sobrariam longas 10 horas pra fazer tudo o que a gente gosta! Ler, ouvir música, ver os amigos, beber, amar e até mesmo fazer absolutamente nada. (e por que não?) Mas não é assim. Talvez no mundo da Alice do Louis Carroll esse tipo de loucura seja possível. Mas não aqui. Nessa dimensão.

Tempo. Que às vezes não é nada legal com a gente. Que quando não queremos, se arrasta. Quando estamos mais empolgados, voa. Não é justo assim, tempo amigo!

Eu fico braba. Braba mesmo. Porque meus horários são diferentes dos das outras pessoas. Porque eu não tenho noites livres. Porque eu preciso trabalhar sexta à noite e no sábado também. Isso me consome energias. Descarrega minhas baterias. Me afasta das pessoas. Diminui meu tão esperado free time. MEU tempo. Meu. O de ócio.

O tempo também deixa marcas, esse sacana! Basta eu me olhar no espelho que eu vejo ele ali, sempre presente, me relembrando que eu não tenho mais 15 anos. E que nem os mais caros cremes podem apagar o que ele já fez. Ele também tem me deixado mais cansada. Mais gorda. Menos tolerante.

Felizmente (porque tudo na vida tem um outro lado), por uma pegadinha do destino, nós somos como o vinho. Melhoramos espiritualmente com o passar dos anos. Eu sei que a Helena de 27 é bem melhor ser humano do que a de 19 e a de 23. Também tenho certeza de que a de 35, se pudesse vir do futuro e falar com essa que vos escreve agora, iria colocar a mão no meu ombro e dizer: “Tu ainda não viu nada, guria!”

É, o tempo. Que pode ser medido em horas, dias, meses, estações e décadas. Esse mesmo filho da puta que não me deixa fazer tudo o que eu tenho vontade. Que demora pra passar quando eu tou triste.

O tempo. É, esse, definitivamente, ainda me mata.

Me vê 10 aí!




Eu nunca entendi o porquê de nós, gaúchos, fazermos o demasiado uso do “me vê” pra quase tudo o que a gente quer. Eu não fujo dessa não, tou sempre usando também. “Me vê 10 passagens aí!” Me vê uma caneta, por favor” “Me vê aquela sacola ali?” Me vê. Não faz o menor sentido. Assim como muitas outras coisas que a gente diz.

Falando em expressões idiomáticas agora, meu pai sempre faz uso das melhores. “Tá se fazendo de salame pra ser comido em rodelinha!” (escuto essa desde a minha infância) Ou até mesmo aquela do “tem boi na linha”. Adoro! “Ih, tem boi na linha, abre o olho!”

Meu já falecido tio tinha uma bela expressão cunhada por ele, que era, mais ou menos assim: “Poeira neles!” A teoria dele era a de que se a gente não se “ligasse” em determinadas situações, ia acabar “comendo poeira”. Então, para evitar maiores contratempos, “poeira neles!”. Tipo, “no dos outros é refresco!” Muito boa.

“Tou de óculos” Essa é muito velha. Que é quase irmã gêmea da mais recente “Tô ligado”

Eu tinha um amigo paulista que devido a uma bebedeira de final de ano acabou virando namorado. E ele vivia debochando do meu frequente uso do “capaz”. Bom, nós, gaúchos, sabemos que o tal do “capaz” pode expressar diversos sentimentos. Pau pra toda obra.

- Tou indo pro México nas férias!

- Capaz! (surpresa, alegria, euforia???)

E por aí vai.

Tem muitas expressões engraçadas que a gente usa e nem se da conta do quão nonsense elas são.

Eu às vezes me pego num momento bem Bob Generic (aquele guzirinho cabeçudo do desenho “O fantástico mundo de Bob”) imaginando o sentido LITERAL de tais expressões. Pessoas cortadas em rodelas, feito salame. Um boi num carretel. O emoticom do msn de óculos. Uma pessoa ligada numa tomada. Alguém me dando um espelho pra eu poder “me vê”.

Nossa imaginação é foda. E ao mesmo tempo a gente pode e DEVE dar asas a ela! (conseguiu imaginar essa também?)



(sempre que faltarem acentos, eh culpa do teclado dos estrangeiros)

O que nunca vai acontecer

Tem coisas que, não adianta, a gente sabe que nunca vai acontecer.

Eu nunca vou ganhar na loteria e me tornar milionária. Nunca vou trocar carbohidratos por vegetais. Nem vou fazer exercícios regularmente. Aquela grande amiga-irmã não vai arrumar um empregão em Porto Alegre e largar a gigantesca São Paulo. Vocês nunca mais terão tardes e noites como aquelas do passado. Paciência. Aquele cara, aquele mesmo, nunca vai dizer que tu é tudo o que ele sempre sonhou, que ele tava enganado e agiu precipitadamente. Não vai, não adianta. Irredutível.
Eu sei que eu nunca vou acordar cedo por livre e espontânea vontade. São Leopoldo nunca vai voltar a ser agradável e divertida. Pelo menos não pra mim.
Eu sei que eu nunca vou ter um passaporte europeu. Nunca vou morar em New York e levar uma vida digna de "Sex and the city". Talvez eu nunca mais tenha um carro. Não quero. Provavelmente não terei filhos.
Sei também que eu nunca mais vou ter uma banda de rock. Que o meu mestrado talvez nem venha a acontecer. Que eu nunca vou ver os Beatles tocar. Nunca vou participar do Woodstock. Nunca vou conhecer o Joshua Jackson. Muito menos o Gael. Sei que meu corpo não tolera o álcool como tolerava antes. E só tende a piorar.
E mesmo sabendo disso tudo, eu continuo acreditando. Tenho fé. Sei que certas coisas nunca vão acontecer, mas sempre haverá a tão sonhada compensação.
Aquela mesma amiga sempre vai vir me visitar e eu terei, pra vida inteira, um lugar maravilhoso pra passar as férias. Aquele cara pode não te achar interessante o suficiente, mas terão alguns outros (assim espero) que nem questionarão tuas qualidades e vão amar até mesmo teus defeitos. De São Leopoldo só ficarão as boas lembranças. Eu posso juntar dinheiro e conhecer Nova Iorque.
Vou assistir aos The Beats. Posso cantar em karaokês. Posso andar a pé ou de bus. Posso ser turista pela Europa toda. Posso enrolar o tal do mestrado o quanto eu quiser.
Enquanto houver possibilidades, nada mesmo é definitivo. É inútil ter certeza.
And the answer, my friend, is blowing in the wind. The answer is blowing in the wind...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

pra ela



eu não vou te perder, eu não vou te perder, não vou te perder, eu não vou te deixar
eu não vou te perder, eu não vou te abandonar,
vá você pronde quiser que eu te procuro lá!
você pode ir-se embora pra bem longe daqui
pode ir pro Maranhão
pode ir pro Piauí
Pode ir com rumo certo ou ficar a Deus dará
pode parar no Peru
pode parar no Pará
pode mudar de babado, mudar de sapateado,
pode ficar numa boa, pode bancar a careta
pode mudar de país, pode mudar de planeta,
pode mudar de nariz, pode ir pro fundo do mar
que eu te procuro, te procuro, te procuro lá!




O grande pai

Que eu tenho o melhor pai do mundo eu nunca tive duvidas. E soh tenho confirmado e reconfirmado isso com o passar dos dias. Foi ele quem me introduziu no mundo do rock ingles e do cinema, entre tantas outras coisas vitais pra mim. E agora, em tempos de mudancas e correria, tem sido ele quem tem feito TUDO pra mim. Se nao fosse ele, meu apartamente ficaria fechado ateh, no minimo, fevereiro, quando eu terei (hopefully) ferias. Mas nao, ele faz tudo. Contatou os pedreiros, comprou o material, fez todas as negociacoes. Tah no comando. E, digo e repito, deixo ele fazer tudo de olhos fechados. Todo mundo me pergunta, horrorizado: "Escuta, tu deixou teu pai comprar ateh os azulejos?" Sim, claro, deixei. Confio no bom gosto do meu grande pai. Confio mesmo. E sei que, enquanto eu tiver um paizao desses pra me apoiar e me ajudar, eu nunca passarei por maus bocados.

Eh uma generosidade e bondade que eu nao sei bem de onde vem. Deve ser algo que acontece com a gente quando temos filhos. O tido "amor incondicional". Eu nunca escondi de ninguem que nao quero ter filhos. Pode ser que morra pela boca. Perhaps, perhaps, perhaps. Dai, talvez, eu venha entender muita coisa. Vai saber? Soh sei que esse amor eh reciproco e verdadeiro. Meu pai eh o melhor do mundo, desculpa se voces nao acham.

Soh ele que acorda junto comigo as 6 da manha pra me levar no trem. Soh ele que fica acordado esperando eu voltar. Que acordava as 6 da manha nos finais de semana soh pra ver eu voltando das festas bebada e rir de mim. Que pagou minha faculdade mesmo eu insistindo que queria "ajudar". Que depositava dinheiro na minha conta quando eu tava do outro lado do mundo e falida.

E mesmo sabendo de tudo isso, foram poucas as vezes que eu realmente disse tudo isso pra ele, face-to-face. Nao sou de falar, nao adianta. E nem meu pai eh. Entao, soh de olhar pra ele, ele sabe o que eu penso. O que eu sinto. E ele sabe que melhor que ele, nao existe.

She's leaving home, bye bye...

Ao som de "Giz" da Legião Urbana, eu começo meu 50º post. Ontem e hoje a missão era uma única só: demolir meu quarto. Colocar tudo a baixo. Sem piedade. Sem pena. Sem pensar duas vezes. Colocar tudo o que eu não preciso mais no lixo. E sim, não tem sido tarefa fácil. Ainda não acabei. E admito, falhei. Teve muita coisa que eu deveria querer me desfazer, mas não consegui.

Encaixotar o passado e deixar useless things pra trás é, sem sombra de dúvidas, uma grande terapia. Tirando o inconveniente da poeira e da minha rinite, ocorreu tudo tranquilamente. Tou até ouvindo o cd "Descobrimento do Brasil", meu favorito da Legião. Banda que eu tanto amava aos 12, 13 anos e agora não consigo nem ouvir mais. Ah, deixa de ser tão radical, Helena. E hoje, fiz as pazes com o Renato. E relembrei o quanto ele me ajudou com minhas paixões não correspondidas e dilemas de uma adolescente. Valeu, Renato! Por essas e outras que teus cds vão junto comigo. Os vinis, todos eles, vão ficar. Do Skid Row, do Michael Jackson, da Madonna. E muitos outros. Não tem espaço. Não tenho toca-discos. Droga.

Finalmente rasguei e me livrei de muito papel inútil. Burocracia. Hoje eu reencontrei meu primeiro holerite. Da época que comecei a dar aula no saudoso CCAA. R$ 250, 00. E eu era feliz. Bebia, saia, comprava coisas. 250 reais. Nossa! Encontrei documentos do seguro e da compra do meu nada saudoso Fiat Uno (é, eu já tive um carro, mas ele foi trocado pela África do Sul). Meu primeiro contrato de trabalho. Aviso de férias. Contas de celular da época em que eu gastava 30 reais por mês. (o que aconteceu comigo???) Encontrei fotos do tempo de colégio. Fotos de turma. Dei boas gargalhadas. O discurso da minha formatura do Ensino Médio, escrito por mim. Uma babaquice. Mas bonito, até. Fotos e mais fotos. Da época em que eu não tinha linhas de expressão no rosto, pesava 52 quilos e não tinha barriga de cerveja. Era um bom partido até. Minha mãe que disse isso hoje. "É, se não fosse a cerveja..." É, talvez ela tenha razão. Olhei praquela Helena com 16 anos e vi que, fora os quilos e as rugas, continuamos a mesma. O mesmo sorriso, cabelo mais curto e o moletom do Mickey. Fotos de ex-turmas do CCAA. Fotos com grandes amigos da faculdade. Convite de formatura. Histórico escolar. Papelada e souveniers que juntei nas andanças pelo mundo. O primeiro cartão de aniversário que a Camila me escreveu. Na época em que éramos mais colegas de trabalho do que amigas. Convite de casamento da Marlova e do Leandro. Cartas e mais cartas de alunos e amigos. Não, não consegui. Essas memórias, as mais importantes delas, não vão pro lixo.

Eu botei muito papel no lixo. Coisas da faculdade que eu sei que não vou usar. Contratos, extratos de banco, faturas de cartão de crédito (da época em que eu gastava 100 reais neles). Papel. Sem valor nenhum. E que não necessariamente me trazem boas lembranças. Não vão fazer falta. Resolvi doar, finalmente, uns blusões e umas calças jeans que eu vinha guardando há séculos na esperança de perder alguns quilinhos e poder usá-los de novo. Não, eu sei que eu não vou perder esses quilinhos. Tão comigo há quase 10 anos, não vão ir embora tão cedo assim. E que assim seja. Não vai fazer falta. E ainda vai fazer gente feliz. Passa adiante, então.

Quadros, fotos. Meu quarto tá cheio de caixas. Roupas, bolsas, bonecos, fotos, lembranças. Muita coisa vai ficar. Não consigo me desapegar de tudo. Hoje não. Quem sabe, amanhã.

Tou saindo de casa. Pela terceira vez. Só que dessa vez, não tem volta.

She's leaving home. Bye, bye!

domingo, 27 de setembro de 2009

Turn, turn, turn

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to be born, a time to die.
A time to plant, a time to reap.
A time to kill, a time to heal.
A time to laugh, a time to weep.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to build up, a time to break down.
A time to dance, a time to mourn.
A time to cast away stones.
A time to gather stones together.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time of love, a time of hate.
A time of war, a time of peace.
A time you may embrace.
A time to refrain from embracing.

To everything, turn, turn, turn.
There is a season, turn, turn, turn.
And a time to every purpose under heaven.
A time to gain, a time to lose.
A time to rend, a time to sow.
A time for love, a time for hate.
A time for peace, I swear it's not too late

Easy like Sunday morning

Ultimamente é assim que eu tenho me sentido. Leve. Cansada, fato. Correria frenética. Espírito leve, though. O último mês não foi fácil. Quem teve por perto, sabe. E quem não teve, imagina. Meu extremismo sempre me levou a lugares indesejados. A intensidade de sentir demais as coisas sempre me fez sofrer. Aprendi que tem muita coisa que não sei mais fazer e não sei fazer bem. Redescobri sentimentos. Revisitei pensamentos e emoções perigosas. Caí. Tentei me erguer aos poucos (não foi fácil). Levantei. Aos poucos. Agora ando de muletas. Daqui um pouco, andarei por conta própria.

Tenho me sentido, surpreendentemente, como na música regravada pelo Faith no More, "easy like Sunday morning". Calma, tranquila. Tenho sido eu mesma. Parece que eu acordei de um pesadelo. Pesadelo que achei que nunca ia ter fim. Acordei. Pra vida, pras mudanças, pro velho que ainda me cerca. Abri os olhos pro mundo novo que me espera. Pro inesperado. Pras possibilidades. Pro que vem pela frente. Virei a página.

Torço pela minha sanidade e bem-estar. E eu só quero estar easy. Todos os dias da semana.




I wanna be high
So high
I wanna be free to know the things I do are right
I wanna be free
Just me
Oh baby...

Instant Karma is gonna get you!



"A lei do Karma é aquela lei que ajusta, sábia e inteligentemente, o efeito a sua causa. Todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências." Muito bonito! Eu nunca tinha sido muito adepta à teoria do karma não. Até começar a assistir afinco ao seriado pra lá de engraçado "My name's Earl". Quem não conhece, não sabe o que tá perdendo. Em suma, temos Earl, um ordinary guy, que, quando ganha na Loteria, tudo começa a dar errado pra ele. Aí Earl percebe que deve estar "pagando" pelas coisas ruins que fez. Fato. E resolve, pra tentar melhorar as coisas, fazer uma lista de todas coisas ruins que fez e tentar pedir desculpas pras pessoas afetadas e tentar compensá-las, de alguma forma.

"Pedir desculpas" Beleza. O problema chega na parte da compensação. Sempre que Earl tenta remediar o que tinha feito de errado, algo surpreendentemente pior ou inesperado acontece. Aí que tá. Earl e eu nos perguntamos: pedir desculpas faz um bem danado. Mas, será que vale a pena tentar consertar o que foi feito de errado?

Eu acredito muito em karma. Aquela velha história do "colhe-se o que se planta". Olho por olho, dente por dente. Quando se faz o bem, enfim, teoricamente, coisas boas teriam que acontecer pra gente. Mas, é possível ser bom o tempo todo??? Claro que não! No caso do Earl, ele era um trambiqueiro, que tirava vantagem das pessoas e, por isso, acabou se fodendo. Levou o troco na mesma moeda. E aprendeu com isso. The hard way.

E quanto a nós, seres humanos normais, ditos do "bem"? E quando a gente só faz o bem e nem sempre recebe isso em troca??? Desiste? Claro que não. E o mal, que por ventura, a gente venha a causar aos outros sem querer, sem saber? Magoando, fazendo o outro sofrer? Como a gente fica, daí? É, não é fácil.

Eu nunca fiz o mal pra ninguém, conscientemente. Já fiz gente sofrer por minha causa. Não correspondi sentimentos. Fui displicente com o coração de algumas pessoas. Xinguei muita gente. Já quis ver pessoas mortas. Mesmo que por 12 segundos. E isso, meus amigos, não faz de mim uma pessoa má. Eu sou do bem, e digo e repito isso com todo orgulho!

E enquanto o karma me perseguir, eu sei que tudo vai ficar bem. Porque eu quero o bem pra todo mundo. Meu amor é sempre altruísta. Eu não me importo de estar triste em determinados momentos sabendo que a(s) outra(s) pessoa(s) tá(o) bem. Talvez eu seja idiota. Ingênua. Mas me faz bem ser do bem. Desejar o bem. Mesmo quando as pessoas me fazem mal.

É aquela velha história, não há bem que dure pra sempre, nem mal que nunca acabe. E eu vou, até o fim, desejar o bem pra todo mundo. Até pra quem não gosta de mim. Até pra quem eu não gosto. Pra todo mundo. Por que, sim, algum dia eu vou colher os bons frutos da minha alma generosa. Nem que seja em outra encarnação. Someday, someday...

sábado, 26 de setembro de 2009

5 segundos



6:30. Alarme do celular despertando enlouquecidamente. "Well, shake it all baby now... Twist and shout..." Os 4 rapazes de Liverpool cantando pra me acordar. Música animada. Justa escolha. Pra um despertar de causar inveja a qualquer um. Pulando de alegria. Mas não, não. Hoje não foi assim. Pensei umas 12 vezes antes de levantar. Sábado de manhã. Banho, suco. 42 minutos de trem me esperando. "Falta pouco, Helena!", eu pensei. Os olhos pesados. Corpo cansado. Mente a milhão. Falta pouco!

Chegando na estação, olho no relógio: 7:19. "Putz, não vai dar!" Assídua frequentadora do nosso amado Trensurb, eu bem sabia que o trem sairia às 7:20. E o próximo, só 15 minutos depois. E aconteceu exatamente o que eu já sabia que ia acontecer. Subo as escadas rolantes em largos passos. Não, não dava pra esperar. Ao pisar na plataforma, escuto o barulho da porta fechando: "Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii". Aquele som irritante e já tão familiar aos meus ouvidos. Dito e feito: porta fechada na cara. Sim, ia ter que esperar aqueles tediosos 15 minutos. "Puta merda" "Podia ter dormido mais uns 10 minutos" Ou ainda, pior, passei pela autopunição: "Não deveria ter enrolado tanto na cama!" Ou também, "Se eu não tivesse entrado na internet..." Muitos "e se?" vieram à tona naquele momento. 15 minutos. parece tão pouco. Mas é muito pra quem tá exausto e só pensa no "conforto" da parede do trem pra encostar a cabeça e aproveitar aqueles 42 minutos pra dar uma bela duma "cochilada" pra ver se a situação melhora um pouco. A long day ahead.

Chegou o próximo trem. Sento, como já de praxe, nos bancos laterais pra poder usar a janela como encosto e dormir. Pronto. Agora sim. Viagem começa. Tudo tranquilo. Até que, opa, um probleminha: o trem para no meio do caminho. "Putz, hoje não é meu dia MESMO!". Voz no autofalante anuncia, "Este trem ficará parado alguns minutos porque tivemos um problema técnico com o trem anterior." Opa, trem anterior! Aquele que fechou as portas pra mim. Que me rejeitou. Que me deixou de mais mau humor ainda. Opa! Pensei nas centenas de pessoas que tiveram que sair daquele trem pra esperar o próximo. O meu. Gente que ia se atrasar. Que devia tá puta da cara. Com razão.

Passados alguns minutos, Estação Anchieta. Um mar de gente revoltada aguardando pra entrar nos vagões já lotados. Assim que paramos na estação, eu pudia ver a cara de saco cheio estampada nos rostos. Abertas as portas, aquele empurra-empurra já costumeiro. "Não vai dar." Acertei. Metade do povo teve que esperar. Ficou pra trás. Uma voz desesperada anuncia: "Senhores usuários, chegará mais um trem dentro de 2 minutos." As caras de mau humor, agora expremidas, ficaram mais brabas ainda. Alguns abandonaram o "apertamento" e resolveram, sabiamente, esperar. Os outros, guerreiros, resolveram enfrentar o fato e viver momentos de sardinha enlatada.

E eu, assistindo a tudo isso, atenta. Até perdi o sono. "5 segundos!" Sentada. Num lugar privilegiado. É, às vezes é bom se deparar com uma porta na cara. Dá até pra sentar na janelinha depois. E, ao som de Elton John no meu Ipod, eu sorri.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A química perfeita


Hoje eu comecei a pensar em todos alunos que já cruzaram meu caminho. 9 anos. 9 longos anos. No decorrer desse tempo, eu passei por tantas experiências indescritíveis com essas pessoas que, se eu tentar lembrar de tudo e de todos, lágrimas (de felicidade e saudade) cairão dos meus olhos.



Eu escolhi ser professora porque eu sempre amei pessoas. Estar ao redor delas. Trocando experiências, sentimentos ou, simplesmente, num momento Seinfeld da vida, falando sobre o nada. Eu decidi ensinar pra aprender. Eu ensino, digamos, teoricamente. Na verdade, eu acho que aprendo muito mais com meus alunos do que eles comigo (sem querer menosprezar meu digníssimo trabalho, of course). Eles que são, de fatos, os verdadeiros "teachers". Daquilo que poderíamos chamar de "escola da vida", a mais importante de todas. Undoubtedly.



Dizem que o professor de idiomas sabe um pouco sobre tudo. Entende de biologia, música, cinema, moda, sabe o valor do Dólar e da Libra e também é um pouco psicólogo, um pouco ator frustrado. Creio eu que devemos isso aos nossos alunos, que compartilham conosco suas vidas, medos, ambições, dúvidas e conhecimento.



Adolescentes surpreendentemente agradáveis e com refinado gosto, médicos, engenheiros, advogados, executivos, jornalistas, outros professores e até mesmo padres já fizeram parte do maravilhoso grupo de alunos com quem eu tive o prazer de desfrutar belos momentos, dentro e fora do âmbito escolar (adoro palavras bonitas!). Graças a eles, eu fiquei mais tolerante, mais paciente, mais gente.




Algumas frases e histórias marcaram minha vida pra sempre. Uma delas veio de um padre. Uma das pessoas mais "irradiadoras" de alegria e de bem com a vida que eu já conheci. Lembro de uma vez em que ele foi questionado sobre a tal "existência" divina e ele, com toda serenidade e brilho de viver nos olhos, disse: "Se Ele existe ou não, eu acho que eu nunca vou saber. Mas acreditar nEle não me tira pedaço e me faz um bem danado!" Eu, sempre descrente, cheguei a pensar em começar a acreditar. É, fazer mal não faz. Então, por que não?




Anedotas da vida à parte, o mais incrível e adorável nisso tudo é que, muitas vezes, esse relacionamento Teacher-Student ultrapassa as quatro paredes da sala de aula e chega às mesas de bar, casas, estádios de futebol, raftings, karaokês, festas, churrascos, orgia de docinhos e coca-cola, "Woodstocks" improvisados, viagens e, até mesmo, passando pelo coração (violinos, por favor!). Muitos amigos eu ganhei. Não fiz amizades, ganhei! E das verdadeiras! Relacionamentos que começaram timidamente numa aula de inglês e que foram tomando diferentes formas e se transformando em algo mais forte, mais duradouro.



Eu raramente esqueço um nome de um aluno. Não, na verdade nunca esqueço. Não esqueço histórias, dilemas, muito menos piadas e farpas (ironicamente) trocadas.




Uma das partes mais bonitas em se tornar um "teacher" é que acabamos nos tornando imortais. Como disse Rubem Alves uma vez, "Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais...". Pode até soar meio narcisista, mas a ideia de ser pra sempre lembrado, pelo menos pra mim, é deveras agradável.




Eu tenho plena consciência de que nunca vou mudar o mundo. Nem caberia a mim fazê-lo. Mas tenho absoluta certeza de que contribui na vida de algumas pessoas. Fiz a tal da diferença. Signifiquei algo. Fiquei marcada. Pode ter sido meramente ajudando a superar expectativas, ou naquela grande promoção no emprego. Naquele suspiro de alívio ao chegar num aeroporto e se fazer entender. Ao atender uma ligação do "estrangeiro". Escolhendo uma carreira. Ou até mesmo numa simples beberrança num bar, contando causos e rindo dos percalços dessa nossa quase sempre tão dura vida.




Eu amo pessoas que me inspiram. E também amo ter a falsa ilusão de que eu possa vir a inspirar pessoas. Cultural ou espiritualmente. Fazer as pessoas ouvirem mais rock. Lerem mais livros. Assistirem a mais filmes. Aprenderem a rir de si mesmas e a não se desesperar ante uma situação inusitada. A ser mais otimista e put that smile on your face, mesmo que as coisas não estejam como a gente esperava. A acreditar.




"Life's about sharing". Eu vi alunos me estendendo a mão quando eu mais precisei. Elogiando meu trabalho quando eu menos esperava. Vi alguns me criticando e falando mal. Aceitei, assimilei. Não levei pro lado pessoal. Vi muitos sorrisos sinceros e recebi abraços verdadeiros. Na rua, no bar, na fatídica última aula (ah, as despedidas!).




A minha vida, em suma, é isso: aprender e trocar experiências. Todos os dias. E eu não poderia pedir rotina melhor do que não ter rotina. Como diria meu ídolo Forrest Gump, "Life is like a box of chocolate, you never know what you're gonna get." Eu diria que teaching é como uma "box of chocolate": full of unexpected and wonderful surprises.




Ser professor não é, pelo menos pra mim, nada restrito ao verbo que meus colegas tanto gostam de usar "ensinar". É, felizmente, aprender. Aprender como se tornar uma pessoa melhor. Aprender a viver melhor em sociedade. Aprender a lidar com as diferenças. A ter paciência. A não ter preferências. E a vida, my friends, gira em torno disso: APRENDER. Juntos, nunca sozinhos.













terça-feira, 22 de setembro de 2009

Running out of words



Hoje eu percebi que não tenho nada a dizer. Depois de muitos dias de uma mente fervendo de ideias e conceitos, hoje, justo hoje, eu percebi que não tenho nada a dizer. Eu poderia falar sobre o amor (ou a falta de), sobre o tempo, sobre mudanças. Mas não, hoje eu não tenho nada a dizer. Meu time tá bem no campeonato, a primavera (finalmente) começou, eu tenho dormido bem, um apartamento todo demolido me espera, tenho grandes amigos pra contar e uma família que não poderia ser melhor, senão estragaria. É, hoje eu não tenho nada a dizer. Em novembro vou assistir ao show do Faith no More, banda que eu amaaaava na minha pré-adolescência. Ano que vem, nem que eu tenha que vender algum órgão do corpo, será a vez de ver o Paul. Eu trabalho feito cão, mas faço o que eu amo. Corro dum lado pro outro, mas, no fundo, reclamo de barriga cheia. Eu tenho muitas histórias pra contar. Mas hoje, não tenho nada a dizer. Não ter nada a dizer não é necessariamente ruim. Acho que não ter o que dizer diz muito. Muito sobre como tou me sentindo. E não ter nada pra dizer HOJE quer dizer que AMANHÃ vai ser melhor ainda.

Parafraseando os Strokes, I've got nothing to say, I've got nothing to say...