terça-feira, 23 de novembro de 2010

Smart People


Há pouco mais de um ano assisti a um filme que muito me tocou, tanto pela simplicidade, mas, principalmente, pela maneira como aborda um dos meus temas clichês favoritos: a vida como verdadeira escola. "Smart People", lançado aqui como "Vivendo e aprendendo", conta a triste história de um professor universitário, vivido por Dennis Quaid, que não sabe nada sobre a vida além daquilo que os livros lhe ensinaram. Ele é viúvo, cria filhos igualmente socialmente incapacitados e leva, ao meu ver, uma vida infeliz e medíocre. Até o belo dia em que aparece a loira esvoaçante vivida pela não-sei-ainda-como-definir Sarah Jessica Parker. O que vem pela frente é óbvio e não precisa ser dito. Lembro, porém, da angústia que eu sentia pela personagem de Dennis: ele realmente não era nada "smart", ou melhor, até era, mas só em assuntos referentes ao mundo acadêmico. Na vida "real", nas simples ações cotidianas, um loser total.

"Viu o que dá estudar demais?" foi uma das frases proferidas por mim para minha mãe, minha companheira mór de assistir dvds nos finais de semana. Eu sempre amei estudar, don't take me wrong here. Era uma baita de uma CDF nos tempos de colégio e sempre fui uma ótima aluna na Universidade. Infelizmente, os anos foram passando, a minha vida tomou outros rumos, trabalhei demais, fui em busca de outros sonhos e deixei os livros (acadêmicos) de lado. E filmes como esse só me ajudam a provar que, talvez, eu esteja certa sobre essas pessoas.

Conheço muita gente que só estudou a vida inteira. Quando digo "só estudou" pode até parecer prepotência e desprezo da minha parte. Não, não, não é isso. Acho que estudar é, sem sombra de dúvidas, o melhor caminho para construirmos um mundo melhor. Conhecimento é a solução para muitos dos nossos problemas. Sim. Óbvio. Porém, existe vida além dos livros. E, ao meu ver, é na escola da vida em que realmente colocaremos em prática tudo o que lemos e todo conhecimento adquirido ao longo dos anos.

Na hora de tomarmos uma decisão importante, a vida nem sempre nos propicia tempo suficiente para uma consultinha básica, ainda que rápida. Não existe fórmula para amizades verdadeiras, muito menos para amor, respeito e solidariedade. Comunicação efetiva (aquela em que as partes envolvidas ouvem e falam na mesma medida) não se ensina em cursos de oratória. Enfatizaram que Nazismo e Fascismo são conceitos demodê e repugnantes, mas continuamos segregando e humilhando. Calculamos, esquematizamos, planejamos, esquecendo de fazer o mais importante na vida: viver.

Mestrado algum ensina a dar "bom dia" pro porteiro. Não existe Especialização em boas maneiras e simpatia. Doutorado também não nos transforma em Madre Teresas e afins. Não existe título que apague preconceitos, limitações emocionais e fobia social. Não existem Robin Hoods na Sorbone.

Como professora, sei que, para construir uma carreira terei que estudar, e MUITO. Mestrado, Doutorados: sabe-se lá o que mais me espera. E sim, como professora, tenho a OBRIGAÇÃO de sempre buscar saber mais e mais. O mercado vai me engolir viva caso eu não dance conforme a música. Reavaliei. Me convenci. Ok, vamos lá.

A ideia de voltar a viver nesse mundo acadêmico mais me assusta do que conforta. Sei que me depararei com muitos "tipos" como o personagem daquele filme do início lá. Gente que esconde por trás de teorias e inúmeras leituras uma inaptidão e fobia social. Tenho medo de pessoas assim. E sinto pena. Muita. Porque, no fim do dia, o que realmente importa é a gentileza. O afeto. A compreensão. O tal do "distribuir sorrisos" para desconhecidos aleatoriamente e ajudar a velhinha a atravessar a rua. E isso eu não vejo (quase) ninguém fazer.


sábado, 6 de novembro de 2010

Como nossos pais

Às 7:45 dessa belíssima manhã de domingo, recebi uma mensagem do meu grande pai que dizia "The day is today". Sim, pai, hoje é o nosso dia. Nosso e de todos os devotos fiéis seguidores dessa banda atemporal que são os Beatles. Sim, hoje é o nosso dia. O céu parece mais azul, a ressaca não bateu, nem mesmo a cólica que surgiu pra tentar estragar meu humor triunfou: para tanto, conto com auxílio da medicina e suas drogas. É, hoje é o NOSSA dia, Maccamaníacos!

Sem querer ser repetitiva - já sendo - nem nos meus mais remotos sonhos eu imaginaria estar presente nesse momento "histórico" da cidade de Porto Alegre e, claro, do nosso país. Desde o dia em que o show foi anunciado, meu coração não descansou um segundinho. Confesso que até dei uma choradinha ontem, pré-show, mas me senti meio rídicula por isso. Enfim, as lágrimas de verdade virão hoje. Nonstop.

Música é, provavelmente, depois da minha família e bffs, o elemento mais importante na minha vida (ouso a dizer que substitui até alguns amigos, sometimes...). E, durante 28 anos, Paul me acompanha onde quer que eu vá. Devo isso ao meu pai: meu rei, meu herói, meu ídolo-mor. Não fosse ele, sei que provavelmente teria encontrado o caminho (do bem) e seria uma grande fã de rock por conta própria. O meu ótimo gosto, graças a Deus, veio de berço. E nada melhor do que ter uma família maravilhosa para compartilhar tal momento. Minha irmã e eu vamos celebrar nossa infância, nossa criação religiosamente Beatlemaníaca e rock and roll hoje à noite. Amém.

Não, meu pai não vai no show. Diz que tá muito velho pra esse tipo de aglomeração. Insisti. Depois insisti mais um pouco. Não deu. Racionalmente falando, entendo-o. Nem eu tenho tanta (mais) paciência assim pra esse fanatismo, correria e loucurada. Já disse que vou chegar tarde e ficarei lá no fundo com a velha guarda (que REALMENTE viveu tudo isso, eu fui uma mera seguidora) curtindo um Woodstock à nossa maneira. E quando aquele estádio começar a tremer, é pro meu pai que eu vou ligar. Porque ele merece, nem que por alguns minutinhos, ouvir o cara que mudou nossas vidas. Forever.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Testosterona

Eu sempre invejei os homens. Ser homem é passear por um mundo onde ser solteiro é sinônimo de virilidade; o excesso de testosterona é visto como macheza e até calvície e cabelo branco são vistos como charme. Infelizmente, no meu mundo, ser solteira é ser triste; chorar e ser frágil é sinônimo de imaturidade e celulite e barriga são pecados dignos de uma eternidade no inferno (e uma vida terrena sem tanto sexo e aduladores, hahaha). O melhor de ser homem, no entanto, é algo que, modéstia à parte, eu sei fazer com maestria: xingar. E nada como um estádio de futebol pra comprovar isso. Meu estrogênio chega a nível zero.

Às vezes eu acho que nasci pra ser homem. Não, não. Eu não gosto de mulheres (sexualmente, I mean). E muito menos gosto de briga, machismo e afins. Não é isso. Eu gosto da infinita liberdade e desprendimento que, ao meu ver, colocam os seres do sexo masculino anos luz à frente de nós, mulherezinhas, ainda apegadas a conceitos do século XVIII, onde nos convenceram de que nascemos pra reproduzir e ser a protetora de um lar feliz. Ser homem é ser livre, por natureza.

Homem trai sem pensar e se arrepender. Faz parte da natureza, eles argumentam. Instinto. (E eu, infelizmente, concordo com eles!) Homem pode xingar, falar palavrão, bater na mesa e, mesmo assim, ser visto pelas mulheres como "macho" e possível reprodutor. Homem pode cuspir na rua. (tá, isso eu acho nojento!) Homem pode tomar banho e sair sem pentear o cabelo que continua atraente. Não precisa cuidar da celulite e da pele. Homem nasceu pra ser bonito pra sempre.

Homem pode ser muito idiota também. Infelizmente. Pode ser insensível e preconceituoso. Também pode ser racional ao extremo e radical. (características nada louváveis, digamos) Homem pode ter filhos sem ter que se comprometer por uma vida toda. Homem nasceu pra ser livre, tou dizendo.

E são nesses 90 minutos que eu passo dentro de um estádio de futebol, nesses momentos super irracionais e levados pela emoção, que eu analiso os homens ao meu redor. E sempre chego à (triste) conclusão de que, sim, existem muitas vantagens em ter-se nascido homem. Homem nasceu pra xingar. Falar palavrão com a mesma voracidade que profere palavras bonitas e tocantes. Homem nasceu pra fazer e - talvez - nem pensar depois. Homem nasceu livre. Nasceu pra chutar baldes. Nasceu pra descomplicar. E, nessas horas também, eu me pergunto como que seres tão louváveis podem se apaixonar por nós, seres tão imperfeitos e complicados. Tão instáveis e chatos. Seres cheios de frescura. Ah, daí me dá uma enorme preguiça de filosofar e eu volto a xingar o juiz. E a coitada da mãe dele. E aproveito, até o fim, aquela testosterona que se apoderou de mim.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Todo Carnaval tem seu fim


E convicções também...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Com fã de Beatles não se brinca!


Eu nunca achei que nessa vida eu seria honrada com a possibilidade de ver um Beatle ao vivo e a cores, em alto e bom som! Nem nos meus sonhos mais remotos eu achei que isso aconteceria. Tá, até talvez fosse viável - eu certamente iria a São Paulo ou até mesmo a Brasília pra ver Paul McCartney. Até que, há alguns dias, eu e todos os outros milhares de Beatlemaníacos fomos agraciados com a maravilhosa notícia de que um dos 4 rapazes de Liverpool viria até nós - isso mesmo! - até essa cidade tão esquecida pelos grandes eventos musicais internacionais. Desde então, tenho que confessar que não durmo direito, não consigo me concentrar e me preocupo se vou conseguir o maldito e tão disputado ingresso como todos os outros bilhões de fãs do Sir Paul. Meu estômago embrulha, tento bolar planos estratégicos pra ser mais rápida que os outros, penso até em recorrer a promessas e mandingas. Até cogitei negociar minha alma, mas, já diriam os experts, com essas coisas não se brinca... Resumo da ópera: enquanto eu não tiver meu ingresso, não serei uma pessoa satisfeita.

Tem muita gente rindo de mim, apavorada com minha reação e com meu aparente distúrbio mental pré-venda de ingressos. Eu não os culpo, sinceramente. Se fosse com os outros, eu provavelmente também questionaria a sanidade mental de um ser que coloca um show de um músico como prioridade (mesmo que momentânea). Ainda mais eu, que sempre fui contra idolatrias e fanatismos... Mas é o Paul McCartney, sabe????

Não é o Aerosmith, nem Green Day, muito menos Madonna (todos artistas respeitáveis)... É o Paul! O Paulzinho! Aquele cara que fez parte daquela banda insuperável e imbatível, saca??? O cara que, mesmo longe dos outros rapazes fabulosos, gravou discos maravilhosos na companhia dos Wings e solito, compreendes???? Tá, é o cara que compôs Yesterday, pronto. Assim, tu certamente vais te convencer de que eu não sou maluca. (apesar de eu não ir muito com a cara dessa música não...)

Tu que não me conhece, ou que mal me conhece, desculpe-me! Não fazes a mínima ideia de como música e principalmente Beatles são importantes na minha vida. Desde os primórdios. Foram eles que embalaram minha infância, adolescência e, agora, fase adulta. Foi ao som dos Beatles que eu me apaixonei por Inglês, aprendi a língua, resolvi passá-la adiante como "teacher"... Graças ao Paulzinho eu tive paixão por instrumentos e comecei a tocar piano (tá, mas eu desisti depois de um ano porque não tinha muito talento, não, hahaha). Foram esses mesmos rapazes que me ouviram em horas de desespero, me acompanharam em momentos de alegria e de filosofia barata também.

Achou tudo uma grande bobagem? Bom, problema é teu. Continuarei levantando minha bandeira anti-tietagem e bizarrices afins. Mas o Paul Mccartney é o Paul McCartney e, sim, com fã (de carteirinha) de Beatles não se brinca! What´s wrong with that??? I'd like to know!

Até dia 07 de novembro, Paulzinho! Sei que vou chorar, vou fazer fiasco e vou assustar muita gente que me acha racional e equilibrada. Quer saber? I don't give a shit!!!! Esse domingo indubitavelmente não será just another day... Pelo menos pra mim e todos aqueles outros que sabem o que é ter um estômago embrulhado por causa de um "showzinho de rock"...




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Much ado about nothing


No topo da minha lista dos pros em se ter quase 30 anos estah, indubitavelmente, a ausencia de drama na vida. Ou, melhor ainda, da necessidade dele. Quando se eh (bastante) jovem (e mulher), o drama faz parte de tudo. Permeia nossas vidas. Das situacoes mais simples às mais complicadas, ha espaco para o drama 24 horas por dia. Seja ao pegar o onibus, tomar um banho de chuva ou um dia estressante no trabalho, mulheres tendem a relativizar os problemas e aumenta-los com aquela bela ampulheta que eh o drama e transformar suas vidas em um inferno. (Antes fosse o de Dante)

Ah medida em que se envelhece ou se "adquire experiencia" - as you wish - as situacoes cotidianas e corriqueiras - e ateh mesmo as mais "cabeludas" - passam a ser vistas como sempre deveriam ter sido: como realmente sao. Pegou o onibus errado? Acontece. Da proxima vez, leve os oculos junto. Se molhou? Nunca esqueca de levar uma sombrinha na bolsa. Dia dificil? Haverah piores. Tu sabes bem disso.

Os homens canalhas nao nos pegam mais despreparadas, os falsos bonzinhos tambem nao impressionam mais: tente ensinar novos truques para macacos velhos e veja no que dah. Desculpe-me, rapazes, mas voces nao nos enganam mais. Nos, mulheres-de-quase-30, sabemos muito bem o que queremos. Melhor ainda: o que NAO queremos tambem. Entao, nem perca seu tempo.

A ausencia de drama traz consigo mais paz e equilibrio. Traz serenidade. Os amores impossiveis e arrebatadores ficam na tela do cinema. E, que bom: paixoes que nos fazem perder o chao dao trabalho. Bom mesmo eh amar e ser amado, de igual pra igual, como se eh: sem falsas esperancas e expectativas. No trabalho, progresso eh sempre bem-vindo. Mas tambem nao existe mais tanta pressa, imediatismo. One step at a time. Baby steps, se necessario. Nao se chora mais por qualquer final bobo de filme, nas se sofre mais tanto por futebol: nao vale a pena, after all.

Eu sempre fui adepta ah vida de Drama Queen. Apesar de toda minha praticidade, o drama fazia-se sempre presente. Nas duvidas diarias, no imediatismo, no coracao que insistia nao acompanhar a minha admiravel e invejavel razao. Agora, coracao e cerebro andam juntos: demorou! Nem muito aqui, nem muito lah. Que bom que eh envelhecer. O drama deixo pra Julieta. Se amar e sofrer daquele jeito fosse bom, o final dessa historia seria bem diferente. Eu quero normalidade. E essa eh a maior revolucao de todas.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Gremio Foot-ball Porto Alegrense e eu





Depois do fatidico dia 18 de agosto de 2010, eu pensei que minha vida, gremista fervorosa que sempre serei, iria mudar (pra pior). Felizmente, o sol nasceu como de costume no outro dia, o mundo nao parou de girar, a vida seguiu seu rumo. A America estaria vermelha agora. E o Rio Grande do Sul, consequentemente, tambem. Contudo, consegui conviver harmoniosamente com meus "coirmaos", agora tambem bicampeoes da Libertadores. Nao sei se eh a idade, o espirito esportivo que cresceu dentro de mim ou a tal da maturidade mesmo: simplesmente me diverti. Ha alguns anos, eu nunca imaginaria ficar na boa com um titulo colorado. Ateh porque nem era comum isso acontecer mesmo... :P
Devo aqui deixar registrado os meus parabens a todos meus amigos e alunos colorados e, como disse hoje, em alto e bom tom, espero o mesmo tratamento quando meu time for campeao (porque ele sera, obviamente). Se preciso for, imprimirei uma copia desse texto para que nos, gremistas, sejamos tratados com o mesmo respeito que eu vi meus companheiros de time tratando o "rival". Fair play. Foi bonito.
Rasgacoes de seda ah parte, hoje um aluno me perguntou PORQUE eu era gremista. Ele, com seus 8 anos de idade, realmente nao deve entender porque uma pessoa em sua sa consciencia escolheria um time que nao "ganha nada". E a pergunta - pertinente - me fez tentar relembrar as origens do meu gremismo. "Por que eu sou gremista e nao sou colorada?"
Um filme veio ah minha cabeca: desde pequena, gremista. Familia: 99% gremista. Tantas Copas do Brasil. Libertadores. Gauchoes. Emocoes. Choros. Gritos. Brigas. Garra. Determinacao. A inesquecivel batalha dos aflitos que os colorados adoram menosprezar (com seu pequeno grau de razao, claro). Lembrei do mundial que eu vi meu time perder em 95. Como eu chorei e briguei. Lembrei do Felipao. Do Mano. Do Jardel - Paulo Nunes- Carlos Miguel. E eu vivi tudo isso. Eu VIVI. Entao, olhei pro meu aluninho, sedento por uma resposta, e disse: porque, como tu, eu vi meu time ganhar tudo. E eu sei como eh maravilhoso o sabor da vitoria e amargo, o da derrota. Ele nao entendeu patavinas, porque ele soh viu o Inter vencedor. O inabalavel e temido time. E eu sei como eh. Nos, tricolores, sabemos.
Eu jah tive minha parcela de derrotas. Comemorei muito com meu time tambem. Claro. Mas essas coisas sao inerentes ah vida e ao futebol: se perde, se ganha. Eh ciclico. Mas por que eu sou gremista entao??? Eu sou porque minha familia toda eh. Nao, nao eh uma boa resposta essa. Nao eh, porque minha irma virou a casaca e agora comemora o bicampeonato da Libertadores. Nao, nao eh pela familia nao. Por que raios eu sou gremista ateh hoje entao?





Eu nasci no dia 15 de setembro. A mesma data da fundacao do Gremio. Hm. Uma boa explicacao essa. Ou ateh uma boa desculpa pros colorados chatos e insistentes. Mas nao, tambem nao eh por isso.
Buscar respostas pra sentimentos nem sempre eh possivel. Eh por isso mesmo que sao chamados "sentimentos": eh pra ser sentido, nao explicado, muito menos racionalizado. A unica coisa que eu sei, de fato, eh que eu amo o Gremio. Amo a combinacao das suas cores. Amo o hino. Amo o estadio. Amo sua historia. Seus jogos me emocionam e mexem comigo. Ontem, assistindo ao jogo do Inter, eu tentava sentir algo: empatia, raiva, whatever. Nao conseguia. Nada. Zero. Niente.
Dai que eu entendi: como amores e amigos, time de futebol eh escolha. E da mesma forma que escolhemos nossos afetos por razoes pessoais (unicas e intransferiveis) e tambem pela quimica, eu escolhi o Gremio. E ele me escolheu. Ele mexe comigo. Estando na Serie A ou Z. E eh por essas e muitas outras que, falta de originlidade ah parte, estarei com o Gremio onde o Gremio estiver.

Greminho querido, valeu pelas noites em claro, pelas bebedeiras, pelas brigas e pelo mau humor tambem. Valeu por esse turbilhao de emocoes. Que tu continues mexendo comigo, como sempre fizeste. "Abalando" minhas estruturas. Mas, de joelhos, tambem te peco: nao me facas esperar muito. Porque sinto falta da cor do ceu nas ruas. De caminhar pelo paraiso. Mesmo. Chega de inferno. Beijo no coracao.





segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Poeira neles

Se meu saudoso Tio Renato ainda estivesse vivo, ele me daria o mesmo conselho batido - mas sempre bem-vindo - de sempre: poeira neles! Traduzindo, pra quem nao eh um Pinto, "poeira neles" eh mais ou menos como, para os leigos, "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come" ou, melhor ainda, "a melhor defesa eh o ataque". Prefiro a traducao boba de "pedras que rolam nao criam limo". Esse eh meu motto.

A tal zona de conforto eh um lugar bem sedutor: sempre seguro, quase sempre legal, mas tambem muitas vezes entediantemente previsivel. Eh essa zona que, meio que sem querer, nos pega de surpresa e, traicoeiramente, nos apunhala e nos dah uma falsa sensacao de estabilidade. De que tah tudo bem. E de que as coisas serao assim pra sempre. Eh assim quando se tem o mesmo emprego ha muito tempo. A regra tambem vale pra relacionamentos. Eu trato a zona de conforto como "pegadinha". Eu tenho medo dela. E contra ela, eu faco uso de arrudas e alhos se preciso.

Eh triste, mas nos acomodamos. To tell you the truth, acho que ninguem quer passar a vida inteira correndo atras do relogio e vivendo em funcao de prazos e metas. Claro que nao. Parar no tempo, no entanto, tambem nao dah. Como ser feliz, entao? Nao eh facil. Nunca foi. Nunca serah. Seguir em frente cansa. Optar pelo novo dah medo. Chutar baldes pode machucar. Na zona de conforto, por sua vez, soh calmaria. Por isso que digo e repito: eh preciso muita coragem pra abandonar o certo e previsivel. Eh preciso muita forca e determinacao pra nao deixar nossas pedras mofarem.

Nunca tive medo de mudancas: bem pelo contrario! Eu acredito que todas mudancas serao sempre pra melhor. Em uma primeira instancia pode parecer devastadora, avassaladora ou amedrontadora. (oraaa!) Passada a bonanza, a calmaria. E assim chega a hora de agarrar as novas oportunidades com unhas e dentes e nao olhar pra tras. Porque mudar requer perder tambem. E eh preciso coragem pra abrir mao de coisas boas.

Ando com muita sede do novo. Tenho batalhado para tanto. Confio no imprevisivel, no desconhecido. Nao nasci pra mesmice. Temo mais a zona de conforto do que mudancas constantes. Preciso de oleo constante pra mover meu motor. Senao, tudo para de funcionar. Dai nao ha Santo que ajude, nem mandinga que resolva: fodeu.

Quem vive de passado eh museu. Quem tem medo de mudar e parou no tempo, vai ser devorado pela mareh. E vai comer muita poeira. Meu tio sempre teve razao. Poeira neles. Porque o mundo eh SIM daqueles que acreditam em seus sonhos e no poder da evolucao.

Pra frente Brasil, salve-se quem puder!!!!


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O saudoso D.


Eu tive um colega uma vez que falava tudo o que pensava. Nao, nao, nao do jeito "eu sou autentico e sincero" que voces provavelmente estejam pensando. Nao. Ele falava tudo mesmo. TUDO. Ele nao era sincero, muito menos verdadeiro: ele nao tinha nocao mesmo. Faltava aquele filtro, aquele discernimento, aquele freio na lingua que nos impede de falar tudo o que nos vem ah mente devido a convencoes sociais bobas. Lembro que, naquela epoca, nos, adolescentes nos seus 14, 15 anos, achavamos deveras engracado uma pessoa proferir as coisas que soh alguem como ele poderia emitir. As vezes dava ateh medo. Lembro tambem de um episodio em que ele brigou com a nossa excelentissima professora de historia - que, por uma pegadinha do destino eh minha progenitora tambem - por um motivo ridiculo qualquer: a aula estava no fim, tinhamos que entregar o trabalho proposto e feito em aula e, como nao havia mais tempo, o colega teve que entregar o trabalho numa folha de caderno com as "rebarbas". Minha mae disse que nao tinha problema, o conteudo era o que importava. O amigao, por sua vez, se agarrou na folha de papel e disse que nao sairia dali se nao pudesse cortar as rebarbas e entregar um trabalho "decente". A inutil discussao durou mais do que duraria cortar a maldita folha, mas, com ele, as coisas eram assim mesmo: dificeis. Teatrais. Circenses.

Hoje lembrei muito desse colega e dos inumeros inusitados momentos que ele nos proporcionou no nada saudoso inicio do Ensino Medio. Nao sei bem porque eu lembrei dele, soh sei que esses momentos vieram ah tona inesperadamente. Acho que devo isso ao fato de que, no fundo - bem lah no fundo, por mais sincera que eu seja, eu nao posso dizer TUDO que eu realmente penso e sinto. Porque assim passaria fome, nao teria emprego, nao teria pessoas ao meu redor, etc, etc e tal. As vezes me bate uma vontade visceral de ser maluca total e sair falando o que eu penso, sem filtros nem moral. Seria caotico, mas divertido. Dar vazao aos sentimentos mais absurdos e sair vomitando verdades. On the other hand, what comes around, goes around. Certamente eu teria que enfrentar a dura realidade de tambem ouvir coisas as quais eu talvez nao estivesse preparada para ouvir. Fair enough.

Lembrei tambem que tinha uma paixonite por esse colega - que nunca me deu bola. MESMO. Eu sempre tive atracao por gente estranha (desculpe-me se voce faz parte desse grupo, no offense!) E sincera. Acho que, na epoca, a paixao com a qual ele exprimia suas verdades e as defendia com unhas e dentes (um bom eufemismo pra "falta de nocao) me encantava. A frustracao de ser desprezada pelo rapaz tambem me fez mal. Obviamente, isso nao representa nada na minha vida. Alias, acho divertido relembrar como nos mudamos, evoluimos e - amem! - crescemos. Ouvi dizer que ele eh pai. Nem recordo quem me contou. Soh sei que, onde quer que ele esteja, devo a ele muitas risadas. E uma invejinha branca de saber que existem pessoas no mundo que nao se preocupam com o amanha. Mesmo que isso machuque e dilacere. Os outros, claro.

domingo, 1 de agosto de 2010

A hora da verdade

Ele foi ao banho. Ela ficou na cama. Espreguicou-se, pensou em dormir mais um pouco. Afinal, era domingo. O melhor dia de todos. O dia do amor. Ouvia, ao fundo, o barulho da agua caindo. De chuva. Coisa boa, ela pensou. Ao virar-se na cama, viu aquele aparelho ali, esquecido. Jogado. Dando sopa. E agora? Olhar ou nao olhar? A tentacao era grande. Muito. A ignorancia eh uma bencao, pensou. Pra que estragar algo que era perfeito? Nao tinha o que ver ali. Ai meu Deus! Revirou-se algumas vezes. No banheiro, a agua do chuveiro ainda corria. Dah tempo, pensou. Nao resistindo, foi lah e ligou. Medo. Aquele ato poderia mudar suas vidas para sempre. Destruir uma imagem. Acabar com um sonho que vivia acordada. Olhou tudo. E sim, tudo como previra: aquele Ipod tinha as melhores bandas e musicas do mundo. Nao era ah toa que ele era o the one. Agora ela tinha certeza. E foi dormir cantarolando qualquer cancao boba de amor.

All that you can't leave behind


Sair da rotina eh sempre bom: nao importa por quanto tempo, nem porque. O que realmente importa eh aventurar-se pelo mundo e mudar a ordem das coisas. Nada daquele acorda, trabalha, come, pensa, corre, trabalha, come, dorme. Nao. Nada disso. Relogio fica em casa, nem vai na mala. Celular, muito menos. Ferias.

5, 10, 30 dias, que seja. Feria sao sempre ferias. Melhor ainda se desfrutadas ao lado de pessoas especiais em um lugar bacana. Pessoas: eh sobre elas mesmo que eu quero falar. Quem me conhece sabe que eu sou 8 ou 80: as vezes muito comunicativa; noutras, quieta; noutras tantas, meio autista ateh. A verdade eh que eu nasci pra conviver e trabalhar com pessoas. Mas elas me cansam. Muito. Por isso que, de quando em vez, eu preciso desse meu silencio, que, muitas vezes eh mal compreendido pelos outros. Whatever. Fato eh que, ultimamente, boa parte de mim tem ficado cada vez mais individualista, talvez ateh egoista - don't take me wrong, please. Aprendi a viver muito bem comigo mesma - SOH comigo - que convivencia me deixa, em alguns momentos, nervosa, estressada, braba. Triste ou nao, isso aconteceu comigo.

Passar 10 dias em Buenos Aires rodeada de (minha) gente poderia me dar ataques de panico ate. Mas nao, nao deu. Nao deu porque, gracas ao meu bom Deus e as pessoas que escolhi pra fazerem parte da minha vida, nenhum homem eh uma ilha, como jah disse uma vez John Donne. Nao adianta. Pessoas sao pessoas. Sao chatas, barulhentas, com muitos defeitos, mas, sim, precisamos delas. Precisamos porque nos completam, nos ajudam a crescer, a transformar pequenos momentos tolos em grandes e inesqueciveis. Sao de carne e osso, como eu. Erram, acertam, pedem desculpa (ou nao). Pessoas.

Como disse anteriormente, pessoas andavam me cansando. Como lido com elas 24-7, acabei ficando um pouco intolerante: com colegas de trabalho, com velhos amigos, com gente desconhecida. Acontece. Meu psicologo entende isso como um grande progresso na minha vida, depois de um ano arduo de terapia: estou finalmente vendo pessoas e a vida como elas realmente sao, e nao como eu queria que elas fossem. Talvez ele tenha razao. Soh sei que quem convive comigo, sabe ao que me refiro. Perdi aquela aparente paciencia e sorriso no rosto, as vezes forcados, confesso, e passei a falar verdades pra todos: ateh pros que nao mereciam. Minha maior qualidade e defeito sempre foram o mesmo: a sinceridade. Eu nao suporto falsidade, quero a verdade e atitudes contundentes sempre, tanto minhas como dos outros. Eh pedir demais? Nao sei. Soh sei que, com quase 30 anos, se eu nao puder escolher quem e o que eu quero na minha vida, prefiro nao viver entao. Drastica assim.

O bom dessas mini-ferias que tive foi o fato de eu ter percebido que, sim, estou certa em selecionar cada vez mais e ser verdadeira, autentica. Sempre fui assim. Felizmente, essa viagem me mostrou tambem que, por mais autista e durona que eu seja as vezes, por mais que eu suma da vidas pessoas, nao de noticias, nao trate minhas (verdadeiras) amizades como acho que deveria, pessoas (do bem e de bem) sempre me farao bem. E serao a diferenca naqueles dias em que o relogio eh tudo o que seguimos. Pode ser por 3 minutos no telefone, 15 no Messenger ou num longo papo regado ah cerveja, sem amigos nao viveria. E sao a essas pessoas que eu devo esse post.







“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do genero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

John Donne

sábado, 10 de julho de 2010

Uma das poucas coisas que ainda me assusta (ou o desespero dos outros)


Quando foi que as mulheres ficaram desesperadas? Quando foi que eu nao percebi?

Depois de um momento de choque de realidade, descobri que (algumas, espero) mulheres sao seres depressivamente desesperados. E presenciei tudo isso num lugar perfeito para tanto: um casamento. As mulheres viram bicho, mostram sua verdadeira faceta: o que elas querem e precisam eh de um homem. Dum macho. Ponto. A felicidade pela noiva eh sempre genuina, claro. Mas percebo naqueles olhares, um vazio; no tom da conversa, a frustracao por nao ser o momento delas. A esperanca que um bouquet lhes trara. As supersticoes. Os Santo Antonios pendurados. As mandigas. As oracoes. Ah, o desespero.

Sento-me ah mesa. Uma mulher de 40 e poucos anos pergunta se eu sou casada. Nego com a cabeca. "Mas entao tu deve ter namorado". Nao digo nem que sim nem que nao. Nao deixa de ser verdade. E nem precisa. "Entao tu vai disputar o bouquet conosco?" Foi nesse momento fatidico que eu percebi que, nao soh sao malucas as mulheres, como perturbadas. "Nem te preocupa, eu nem vou participar desse momento". "Ah, capaz, eh nossa chance". Meu silencio deixa bem claro que eu nao quero continuar a conversa. Mas ela continua proferindo palavras as quais nao presto mais atencao alguma. "Como tem gente chata no mundo".

Passados alguns minutos, a mae de uma conhecida chega e diz: "Pelo amor de Deus, jah tentei de tudo pra Fulaninha desencalhar, mas nao adianta. Santo Antonio afogado, vela, mel, oracoes. Nao adiantou". Em meio a tanta bobagem, eu nem sei bem o que dizer. Sorrio. Levanto a sobrancelha, como se estivesse pensativa. Percebo que minha postura blase em relacao ao tema constrange e irrita as desesperadas. Elas devem pensar que eu sou louca, pensei eu. Ou lesbica. Whatever.

Seguindo meu caminho pelo evento de enlace matrimonial que mais parecia hospital psiquiatrico conheco uma senhora com seus 50 e poucos anos que nunca casou. Mas ainda espera (assim mesmo, como ela disse) pelo homem da vida. Aquele com quem ela vai casar. Nunca perdeu as esperancas. "Que bom por ela", eu devo ter pensado. Ou "coitada".

Vejo casais felizes. Familias. Gente casada. Gente que se deu bem. Gente que compartilha. "Eles que sao felizes, querida", me diz outra do cla das malucas. Confesso que cogitei a hipotese de fazer o papel de musa do Romantismo e comecar a reclamar da minha vida solitaria tambem. Mas nao, nao seria verdade.

A minha verdade eh que eu adoro comedias romanticas. Me divirto com elas. E eh essa formula do amor que eu sempre quis pra mim: um amor nova-iorquino em que tudo acontece de forma inesperada, bonita e com violinos ao fundo. Em que a mocinha eh inteligente, capaz, independente, bem-sucedida (gosto de acreditar que sou tudo isso). O rapaz eh bonito, gentil, sabe o que quer, nao eh canalha, tem um senso de humor invejavel e sempre ve o lado positivo das coisas. Eh isso que eh o amor pra mim: o que eu aprendi nos filmes.

Na vida real, as coisas sempre foram diferentes pra mim, por isso que me atenho ao amor ficcional. Eu, diferente da maioria da galera do cromossoma XX, nao tenho medo de ficar sozinha. Retificando, tenho medo sim. Tenho medo de me acostumar tanto com minha propria companhia que eu nao precise mais de pessoas. Eh esse meu maior medo. Acostumar-me demais comigo mesma. E eh por isso que eu nao acendo velas, nao faco promessas muito menos espero pelo bouquet nos casamentos pra atrair relacionamentos. Deixo isso pra elas. O que eh meu, como dizem as maes, tah guardado. Nem que seja dentro de uma caixinha de dvd.






sábado, 3 de julho de 2010

Dois pra la, dois pra ca

- Eu nao sei dancar!, ela insistiu.
- Nao tem problema, eu te ensino...
- Nao, nao, eu nao sei mesmo. Tu nao tah entendendo. Posso ate te machucar. NOS machucar, serio mesmo.
- Ah, vamo lah, vai...
- Capaz, dancar junto ainda. Se fosse cada um na sua, assim, separado, ateh dava...
- Vou ter que insistir mesmo?
- Junto nao. Eh complicado...
- Deixa que eu te guio.
- Outros jah disseram isso. E deu no que deu...
- Dois pra la, dois pra ca. Nao tem misterio.

E ela tentou, bem devagarinho. Dois pra la, dois pra ca. Dois pra la, dois pra ca. Bem que ele tinha avisado: nao tinha misterio mesmo. E seguiram a vida assim: dancando. Juntos. Tiveram eventuais pisoes no peh, tornozelos torcidos, algumas leves quedas. Nada que estragasse o show. Deles.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

We're not enemies, we just disagree (ou por que eu amo tanto The Strokes)


Quem me conhece de verdade – porque tem muita gente que acha que nos conhece mas nao sabe porra nenhuma a nosso respeito, somente aquilo inferido por presuncoes – sabe que musica eh se não a mais mas uma das coisas mais importantes na minha vida. Ela diz muito sobre quem eu fui, sou e ainda me tornarei. Não sigo tendências, tenho pavor de modinhas – quaisquer que sejam – e, admito, um certo preconceito com certas pessoas que gostam das mesmas coisas que eu – principalmente aquelas que cospem conhecimento musical com propriedade sem ao menos saber do que estao falando. Whatever. Musica define. Nos leva a lugares e épocas as quais jamais imaginaríamos poder viver. Traz alegria genuína e nos acompanha em quase todos momentos. E todos sabemos que vida sem trilha sonora não tem graça alguma.

A musica me foi apresentada quando muito jovem. E agradeço todos os dias ao meu querido e grande pai por tal feito. Tive sorte, agora entendo. Sei que se não fosse por meu pai, eu teria descoberto todas essas obras de arte maravilhosas que tenho escutado há quase três décadas de vida por minha conta mesmo. Mas o primeiro “empurrão” veio de berço mesmo. E desde o berço. Meu pai viveu nos anos 60. Foi adolescente na época em que Beatles, Rolling Stones e todas aquelas maravilhosas bandas do brit-rock disputavam o topo das paradas. Viveu a ditadura. Ouviu muita Tropicália, Chico e Mutantes. Um cara de sorte. Acompanhou tudo de perto. Sorte? Eh, nem tanto, porque todos sabemos o quão complicado viver naquela época era. Refiro-me ah sorte que ele teve de poder acompanhar essas artistas no auge de seus talentos e fazer parte dessa historia. Eu, infelizmente, sou mera espectadora. Conheço o que li, o que ouvi, o que vi na mídia e documentários. E tenho que acreditar no que me eh passado.

Meu pai eh meu herói, como não poderia deixar de ser. Qual pai daria pra filha o álbum branco dos Beatles de presente de 15 anos? Tem gente que debuta; outros vão pra Disney: eu ganhei o melhor presente de todos. Voltando ao inicio la, quando eu falava na minha intrínseca ligação com a musica, eh lugar-comum pra maioria dizer que os Beatles foram, são e sempre serão minha banda favorita. Acho praticamente impossível outra banda conseguir ocupar esse lugar no meu coraçãozinho. Posso me apaixonar e reapaixonar por bandas diariamente, mas são dos 4 rapazes de Liverpool o topo da lista. Forever. Digam o que quiserem, eles são sim a melhor banda do mundo. Respeito os 3% da população mundial que não curte o som dos caras, mas, digo e repito, não consigo entender. Deixa pra la, isso eh conversa pra outra hora.

Meu amor pelos Beatles ah parte, todo mundo tem uma segunda banda favorita. E a minha eh os Strokes. E explico o porque: devo a eles (o mundo todo na verdade deve) a incrível e insuperável volta do rock de raiz, de garagem ah boca-do-povo (e aos ouvidos). Depois de anos tendo que aguentar boy bands e pop groups/singers, eles surgiram do nada pra reacender a chama do que todos conhecem por Indie Rock (ou "roque" independente, como preferirem). Os Strokes abriram as portas pra todas essas outras bandas maravilhosas que surgiram depois deles e fizeram da primeira década do século 21 os anos da volta do rock ao topo. As pessoas voltaram a acreditar no poder de ouvir coisas boas de novo. E, por isso, eu serei eternamente grata ao Julian e sua trupe.

Tenho que confessar, como já disse la no inicio, que tudo que vira “modinha” me irrita profundamente. E todo mundo sabe que o tal do indie rock veio pra ficar. Os All stars opacos, cabelos bagunçados e roupinhas de brechó pelas ruas não me deixam mentir. Acho tudo muito bonitinho, mesmo. Mas cansativo. Aquela velha historia: tudo que eh demais... Mas não vou reclamar, prefiro mil clones do Julian Casablancas na rua do que do Justin Bieber, por exemplo. (no offenses!)

Eu lembro da minha felicidade quando, em 2001, chegou ah minha casa o primeiro cd dessa então nova e muito pouco conhecida banda chamada The Strokes. Eu tinha ouvido uma que outra musica na TV ou na radio, não lembro bem. So lembro que foi amor ah primeira ouvida (e vista, porque sempre gostei de rapazes “sujinhos”, If you know what I mean). Eu tinha 19 anos recém completos, segundo ano de curso de Letras, primeiro ano como English Teacher. Primeiro ano solteira depois de uma adolescência namorando. E um mundo novo pela frente pra conhecer e conquistar. E esses 5 rapazes nova-iorquinos foram testemunha disso tudo. Eye witnesses. Lembro ateh hoje quando eu ouvi o álbum de estréia “Is this it?” pela primeira vez. O encarte, as fotos, as letras, o som de garagem. O rock nas guitarras. A voz arrastada do Julian. Gamei.

Para aqueles que não entendem minha paixão pelos Strokes, digo e repito: o que eles fizeram em prol do rock no cenário musical não tem preço. Se não fossem eles, Britneys e Backstreet Boys seriam o que nos restaria. Eles trouxeram a esperança de volta. E muitos viúvos do rock renasceram das cinzas. Sem mencionar o fato de que eles são, pra mim, o que foram os Beatles pro meu pai: acompanhei desde os primeiros passos a construção de tão importante banda.

Ao contrario dos Beatles, que eu nunca vi ao vivo e nunca verei, eu já tive a abençoada oportunidade de ver meus xodós ao vivo. E, como não poderia deixar de ser, sai do espetáculo proferindo aquela clássica frase típica de quem viveu algo inenarravel: “Posso morrer agora!”. Passaram quase seis anos de tal fato e, thank God, ainda estou aqui. Pronta pra receber o quarto e próximo álbum dos Strokes de braços abertos e ouvidos apaixonados. E com um coração cheio de amor pra dar. Por toda vida.

Is this it?

Take it or leave it.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Algum dia vou te agradecer


(ou o classico "quem ri por ultimo...")

sábado, 19 de junho de 2010

O Algoz






Todo mundo tem seu algoz. Ou ateh mesmo algozes - assim mesmo, no plural. Aquelas (poucas) pessoas que sempre nos botam medo (ou que temos medo de encontrar). Aquela very one person cuja presenca nos faz muito mal. Seja pela crueldade do olhar, pelo julgamento implicito ou por tudo o que a atitude dela representa. Todas (mas) lembrancas que com ela vem ah tona. Sofrimento e indignacao. Medo. Pior sentimento esse. Aquela ex-grande amiga que o tempo mostrou que nao era tao grande assim e que agora soh se diz "boa tarde" por educacao; o colega chato de trabalho que soh fazia fofocas e te fez perder as estribeiras ou um grande ex-amor ingrato e injusto: nao interessa quem seja, o algoz sempre te chateia. Faz mal porque simplesmente nao consegue te fazer bem. Obvio, nao? Mas eh isso mesmo: pessoas cuja presenca nos faz sentir impotentes. Sem palavras. Paralisados. Perdidos. Ameacados.

Eu sempre tentei uma serie de artimanhas pra fugir dos meus carrascos. Dobrar uma quadra antes (nem que isso significasse caminhar mais), evitar rua "tal" e nunca mais frequentar lugar "x" em horario "y", pelo menos enquanto a ferida ainda estivesse aberta. O velho deitado "O que os olhos nao veem, o coracao nao sente". A vida pode parecer limitada assim. Mas, digo e repito, certos confrontos sao melhores quando evitados. Pelo menos ateh termos recuperado nossas forcas completamente. Enquanto aquela foice e o capuz preto nos deixarem petrificados, melhor seguir outro caminho. Auto-preservacao, sabe? Melhor do que nao saber o que dizer. Do que ceder aos desejos do executor e perder a cabeca. (nessa caso, figurativamente).

Eu tenho uma ex-amiga que odiava reencontrar, um ex-colega chato pra caralho que sempre me incomodava e arruinava meu dia, um ex-namorado cruel que fingia nao ver pra evitar sofrer (mais) e algumas outras pessoas mundo afora cuja presenca (inoportuna) mexia muito comigo. Nao interessa o que eles tivessem feito pra mim: ve-los sempre me fazia mal. E falsidade nao eh comigo nao, entao sempre fui meio rispida com eles. Fazer o que. Ve-los era como abrir uma caixa de Pandora: uma mistura de agonia, frustracao e odio brotavam em mim. E eu ficava remoendo aquele sentimento. Ah toa.

Ateh que, como num passe de magica, um dia eu aprendi que nao preciso usar uma Gabardine ah la Inspetor Bugiganga pra nao ser reconhecida e muito menos mudar minha rotina para evita-los: algozes sempre serao algozes. Nada mudarah o que eles fizeram pra mim. Nada os farah mudar. Nada os farah tornarem-se meus aliados. E que eles permanecam assim: perto fisicamente, mas longe do meu ser (emocional). E independente do que eles pensem de mim, eles terao a importancia que realmente merecem: nenhuma.








Esse post eh dedicado ao Marcelo e ao Julian, duas pessoas fantasticas em cujas vidas eu representei o papel de Algoz (merecidamente e meio-que-sem-querer) uma vez mas que, agora, me veem com um pouco mais de cores e felicidade. E desculpa, mais uma vez. ;)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Parceria intelectual

Ele sabe diferenciar The Kinks dos The Who. Entende de rock 'n roll. E sabe que nao eh soh disso que se vive. Tem muita musica boa por ai. Bossa Nova, Tropicalia, Mutantes, Chico. Tem Fabio Junior e Sidney Magal. Jorge Drexler e Fito Paez. Ele gosta de Woody Allen e entende todas suas neuroses (tanto dele, como as do diretor). Sabe que Strokes nao eh soh mais uma banda de rapazes sujinhos, de cabelo baguncado e All Star surrado. Leu Nick Hornby sem preconceitos. Mas tambem gosta do Jorge Luis Borges. Curte a Amy e a Gal. Sabe quem foi Darth Vader. Riu muito com Friends. Cresceu criticando Barrados no Baile, mesmo sonhando em ter toda aquela pose do Dylan. Interessado em linguas estrangeiras, revistas e seriados de Tv. Mas, como todo bom homem, curte um futebol no domingo e tambem gosta de xingar o juiz. Ele nao confunde Iggy Pop com Lou Reed. Deixa a barba por fazer sem parecer desleixado. Sabe o que quer. E quem ele quer. Sorte a minha.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O doce e o amargo de enfrentar o mundo





Eu deveria trabalhar numa agencia de viagens. Serio. Nao soh amo viajar como adoro meter o bedelho nas viagens alheias, dando opiniao e sugestoes. Adoro ser referencia pros outros e receber e-mails do primo do tio do vizinho do irmao da tia-avo do meu ex-aluno perguntando como eh a Africa. Ou o Mexico. Ou a Europa. E se eu tenho alguma dica milagrosa que vah facilitar suas vidas. Quando voltei da Africa do Sul, em crise, lembro que ateh pensei em cursar alguma pos em Turismo ou algo do genero. O projeto nao vingou. Tudo bem. Eu sei que posso ajudar as pessoas, sem envolver burocracia nem lucros. Puro altruismo mesmo.

Algumas pequenas dicas quando se vai pro exterior sao sempre validas. Preciosas ateh, digamos. Sempre deixo bem claro pros meus ouvintes que a minha situacao em paises de lingua inglesa sempre foi privilegiada porque todas vezes em que viajei tinha ingles fluente. (sou professora, neh, por favor!!!). Entao as coisas mudam um pouco de figura. O jogo soh termina quando acaba e vice-versa!

Eh preciso concentrar-se no Antes, no Durante e no Depois.

O antes envolve muitas coisas como onde, quando, como, por quanto tempo e porque. Pense cuidadosamente, porque serah muito dinheiro investido. Mesmo achando que independente da duracao, toda e qualquer viagem nos transforma, acho bastante valido pensar no que a gente quer ver do "outro lado". Cultura igual ou semelhante? Quer passar trabalho ou nao? Mochilao ou mordomias? Vai lavar pratos ou vai estudar pra valer e te aperfeicoar? Quer conhecer o mundo ou morar numa cidade pacata? Aprender uma nova lingua ou aperfeicoar uma que jah sabe bem? Viajar pra conhecer o mundo ou em busca do tal de auto-conhecimento? Tudo isso tem que ser levado em conta.

O durante eh o melhor e tambem o pior da jornada. Dependendo da estrutura emocional de cada um, as situacoes mais corriqueiras podem se tornar dramas e as mais dificeis serem resolvidas numa fracao de segundos. Eu sempre viajei sozinha. Fiz tudo sozinha. E nao me arrependo. As coisas teriam sido mais faceis se tivesse alguem comigo? Talvez, nao necessariamente. Antes soh do que mal acompanhada, if you know what I mean. Prepare-se pra fazer 5 amigos de nacionalidades diferentes por dia, pra adorar pessoas, pra odiar pessoas, pra enfrentar um turbilhao de emocoes. Chorar e rir na mesma medida. O ruim de viajar sozinha eh que nao temos com quem dividir as emocoes. A imensidao de coisas boas que acontece acaba anulando tudo de ruim, nem te preocupa, amigo!

Quando fiz meu mochilao pela Europa, felizmente, jah tinha o Luiz do meu lado, pra rosnar, rir, brigar, gritar, divagar, beber e desabafar. Agora em fevereiro quando fui pro Mexico de ferias (as dividas agradecem e me perseguem ateh hoje) tive o prazer de desfrutar da companhia de uma grande amiga, Vivian, com quem tenho muitas coisas em comum. Lembro que quando ela me convidou pra essa empreitada maluca, disse em alto e bom tom: "Tu sabe que 30 dias dormindo, acordando, comendo e fazendo tudo juntas vai resultar em eventuais brigas, neh?". Ela sorriu e disse "Tu sabe que eu nao sou disso". Dito e feito. Nao pensei que, com meu temperamento e instabilidade, seria capaz de passar 30 dias ilesa assim. Acho que eh a idade, a tal da maturidade. E a companhia, claro. Merito dela.



Quando viajei pela Europa em 2007, lembro que eu e o Luis, durante os 35 dias percorrendo o continente de trem e de mochila, quase destruimos uma bela amizade. Ainda bem que agora a gente ri de tudo isso. Mas, na epoca, claro que nao. Recordo-me de que conhecer a tal da "Abbey Road" em Londres foi mais traumatico do que emocionante - era nosso ultimo dia de viagem antes de voltarmos pra realidade de Dublin e jah nao aguentavamos mais comer/dormir mal e brigar. Uns amadores. Mas sobrevivemos. E aquela foto nossa sorrindo no meu mural tah ali pra me lembrar de que ninguem eh perfeito. E de que tolerancia eh a alma do negocio quando se convive muito tempo com alguem.


Viajar de ferias, como eu fiz pro Mexico, eh BEM diferente de passar um tempao num lugar - e criar uma vida e vinculos - , como quando fui pra South Africa e Irlanda. Vinculos: esse eh o maior dos problemas quando se fica fora. Nos primeiros dias, todo mundo que cruzar teu caminho sera teu melhor amigo. Nao tem como nao ser assim. Todos no mesmo barco, sabe? Ah medida em que o tempo passa, comecamos a filtrar as amizades e nessa peneira ficam pouquissimas pessoas - pelo menos comigo sempre foi assim, sou chata mesmo. Desses poucos que restam, forma-se uma familia. Tristezas, bom e mau humor, duvidas, alegrias, sofrimento, tudo eh dividido com essas pessoas, mesmo querendo ou nao. A familia verdadeira e os amigos de longa data estao longe e tudo o que tu nao quer eh chorar no telefone e preocupa-los. Eu mesma engoli o choro varias vezes falando com a minha mae. Passei por uma fase bem "dark" quando eu tava em Dublin e foram eles, meus melhores amigos por la - Rafael, Andre, Vanessa, Guilherme, Fabio e Luiz - que tiveram que aguentar meu sofrimento e indignacao. Eu sei que tinha momentos em que eles queriam me mandar ah merda e calar minha boca, mas nao o fizeram. Solidariedade. Aquele "um dia eu posso tambem precisar e eu sei que tu eh meu pai-mae-irmao aqui". Sou grata a eles ate hoje. Tudo eh muito mais intenso, mais vivido, mais louco, justamente porque tem prazo de validade. E a nao ser que tu case com algum maluco por lah ou tenha um passaporte que nao seja o Brasileiro, aposto que um dia tu voltaras.


Eh por isso que o depois torna-se muito dificil pra maioria das pessoas. Um mes, tres, seis, nao interessa. 1, 2, 5 anos. As coisas por aqui mudaram. Tu mudou. E, mesmo assim, tudo parece o mesmo. Os amigos de antes criaram novas amizades, tem novas historias, novos interesses, manias novas - tu nao ia esperar que eles ficariam 1 ou 2 anos sentados esperando por ti, ne? As pessoas parecem diferentes. Tu te sente estranho. As vezes os assuntos sao desencontrados. Ninguem entende o que tu passou. Ninguem sabe o que tu viveu. The Outsider. Alguns poucos bons amigos e familiares realmente interessar-se-ao pelos teus feitos e trocarao belas palavras contigo. A maioria - e nao eh culpa deles, acredite - nao parara pra te escutar. E fingira um pequeno interesse pela Torre Eiffel ou pelo Cavern Club. Nao fique brabo. A viagem eh tua. E de mais ninguem.

Situar-se depois de um bom tempo fora eh sempre complicado - eu jah vivi isso duas vezes em epocas distintas da minha vida e digo e repito: nao foi facil. Mas cah estou. Safe and sound. Tranquila. O importante eh entender que o que passou, passou. As boas lembrancas ficam, as fotos tao ali pra nao te deixar esquecer daquelas pessoas maravilhosas que um dia fizeram parte da tua vida. O contato manter-se-a por um tempo e depois morrera. Eh inevitavel. Uma lastima, mas eh assim. Nao dah pra manter varias vidas numa soh. Aprendi isso. Ateh porque as pessoas viverao em partes diferentes do mundo e do teu pais. Conselho: nem que seja um "oizinho" no Messenger, mas nao perca contato com essas pessoas que um dia foram tua familia. Tente, pelo menos. Os que ficaram aqui, tente ver quem realmente vale a pena e quem nao tem mais sintonia contigo - amizades podem enfraquecer sim, fazer o que. Eu perdi alguns amigos ao longo da vida, mas eh assim mesmo. Evolucao. Melhor do que manter relacoes que nao tem nada a ver por pena ou pra dizer que se tem amigos. A solidao se faz necessaria, meus caros. Sei bem disso.

Passados alguns meses da tua volta, tu vai acordar, vai olhar pra'quele sol lindo lah fora e vai ver que o luto passou, que tudo que foi vivido naquele outro lugar foi unico e insubstituivel mas que o melhor da vida ainda tah por vir. Mais ou menos como um fim de relacionamento: bola pra frente. E a melhor descoberta de todas eh tambem a mais obvia e tola: There's no place like home. Dorothy jah havia dado a letra em The wizard of Oz. Mas as vezes temos que cruzar oceanos pra vermos - e sentirmos - isso com nossos proprios olhos. O Brasil eh o melhor lugar do planeta, pelo menos pra mim. E se alguem tivesse me dito isso ha uns 5 anos, eu nao teria acreditado. Teria dado risada ateh. Eh, a vida e seus misterios.





ps: eu nao sou Gaucha chata a ponto de achar que tudo que eh do RS eh melhor. Alias, nao gosto disso. Mas melhor que o Gremio e que a Polar, nao tem nao... :D

sexta-feira, 7 de maio de 2010

I wish you love

Sometimes you love, and you learn, and you move on. And that's okay.




I wish you bluebirds in the spring

To give your heart a song to sing

And then a kiss, but more than this

I wish you love

And in July a lemonade

To cool you in some leafy glade

I wish you health

But more than wealth

I wish you love

My breaking heart and I agree

That you and I could never be

So with my best

My very best

I set you free

I wish you shelter from the storm

A cozy fire to keep you warm

But most of all when snowflakes fall

I wish you love

But most of all when snowflakes fall

I wish you love

I wish you love

I wish you love, love, love, love, love

I wish you love

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Don't look back in anger (ou fazendo as pazes com o passado)


Eu venho de uma família de loucos. Alguns diagnosticados, outros ainda timidamente mascarados. Se minha mãe ler isso, certo de que ficara triste comigo. Mas ela bem sabe que eh verdade. Infortúnio ou não, lidar com a genética maluca eh algo da qual não posso escapar. Em meio a um terremoto desses, sempre me orgulhei do fato de ser uma das (mais) “normais” nesse clã peculiar. A progenitora jah vinha dizendo há alguns bons anos que eu deveria procurar “ajuda especializada” pra resolver minhas piracoes. Orgulhosa (ou burra, talvez ingênua), disse que não. “Dos meus problemas cuido eu”. Mãe eh mãe, e sim, elas SEMPRE tem razão.

Não tive nenhum trauma na infância: fui uma criança feliz, com direito a muitas brincadeiras, Sessão de Tarde e imaginação. Venho de uma família classe-media que me proporcionou estudar em ótimas escolas e, por conseqüência, numa ótima universidade. Porem, desde pequena mostrei alguma instabilidade aos outros mortais. Não queria mais ir na aula decorridos alguns meses do inicio do ano escolar. Enjoava dos amiguinhos com freqüência. E do mundo. Diziam que eu era “de lua”. Eu diria "chata" mesmo. Nessas horas eu culpo o zodíaco – porque pra alguma coisa ele tem que servir. A minha instabilidade tem muito a ver com a minha inaptidão em admitir fraquezas e situações adversas. Sempre tinha que ser do MEU jeito. Infantil mesmo. A vida se encarregou de me mostrar quanto tempo eu perdi.

Eu lembro bem porquêeu procurei ele. Motivo bobo, agora eu sei. O tal do desespero. Agora eu soh tenho a agradecer. Agradecer pelo tal desespero. Porque agora eu acredito que tudo acontece por algum motivo. Não. Não virei evangélica. Agora sei o valor que tem sentar naquele sofá e ouvir aquela voz falando coisas tão fortes – e ora dolorosas – sobre um ser que se julgava auto-suficiente.

Eu tenho um amigo que me disse que psicólogo tah no mundo pra resolver nossos problemas – ele não pode ser nosso amigo e não temos que gostar dele. Eu, parcialmente, concordo. (In)Felizmente, eu gosto do meu. Como ser, como profissional, como grilo falante. Ele eh o cara que, bem ou mal, me ensinou a ver a vida com outros oculos.

Ele diz muitas coisas obvias. Coisas que talvez não valham os tantos reais que eu pago por sessão. Verdade. Mas as diz com uma sutileza digna de um lord inglês. E são essas as que mais doem: as verdades mais obvias que nem o Steve Wonder gostaria de ver – perdão pela piada HORRIVEL! São pequenas coisas – bem pequenas mesmo – que fazem uma puta diferença.

No inicio eu contava os minutos pra ir embora, não via a hora de sair correndo daquela sala. Tinha preguiça, confesso. Preguiça de achar diagnósticos pras minhas piracoes. Mais fácil deixa-las passarem batidas. Quase um ano depois, eu sei que muito pouco mudou no mundo ao meu redor. E talvez eu não tenha mudado nada. Talvez nem venha a mudar. Mas compreendi. E entendimento eh, por bem ou por mal, uma das melhores soluções pra dilemas.

Ele me fez ver a pessoa extramente imatura que eu escondo por trás dessa casca-dura e independência. Fez ver o quão insuportável eu posso ser. O quão louváveis são as pessoas que não desistiram de mim pelo meio do caminho. Porque eu não sou fácil. Disfarço muitas das minhas imperfeições com piadas e ótimo humor. Extravagância. Ou seria um escudo?

Não sei o que será de mim daqui pra frente. Se tudo isso – como sempre foi na minha vida- não vai ser soh algo “fogo-de-palha”. Se vou evoluir como ser humano e mudar o mundo como sempre quis. A cada encontro semanal eu menos sei. Mas cada vez compreendo mais. Contraditório, não?

Terapia não salva, não cura. Mas faz um bem danado. E isso vindo de alguém que sempre quis abraçar o mundo e resolver tudo by herself, well, I guess it means something.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Brilho eterno de uma mente sem lembrancas

Com a chegada da idade, algumas coisas se vao - dicotomias ah parte. A memoria eh uma delas, indubitavelmente. Certos momentos e eventos em nossas vidas, ah medida que os anos passam, parecem ter acontecido em outra vida. Ou, pior ainda, na vida dos outros.

Nunca pensei que eu seria traida pela idade. Justo eu, que sempre fui tao boa de "memoria". Nada passava despercebido pelo meu cerebro: depois de vivido e processado, era lah que ficaria pra sempre. Mas nao, caros amigos. Descobri que o tempo (e talvez um pouquinho de cerveja tambem) pode ser cruel com o que de bom - e ruim - ficou armazenado na cachola.

Foram 27 anos e uns quebrados de historias ateh entao. Vida fragmentada entre algumas cidades e paises diferentes. Muitas idas e vindas. Um pouco de alcool tambem pra atrapalhar no armazenamento de certos eventos. E com a chegada de uma nova decada, a certeza: eu estou ficando velha. E minha memoria eh a prova viva disso.

Eu sempre me orgulhei da minha ilustre capacidade de lembrar nomes, fatos, datas, trivialidades, coisas importantes e futilidades tambem. Nada comparada ao meu amigo Frederico, que eh praticamente uma Wikipedia ambulante, mas sempre fui boa nessas coisas de "lembrar". Historias do tempo de Ensino Fundamental, Medio, Unisinos, CCAA, Africa, Irlanda, Porto Alegre, Sao Leopoldo, Novo Hamburgo: eu nao esquecia nada. Flertes, ex-flertes, flertes nao concretizados: nada escapava da fabulosa memoria de Hell Pinto. Ateh pouco tempo...

Eu tenho esquecido as coisas. Fatos, eventos, pessoas. Alunos. Historias. Partes da (minha) vida. Parece que uma parte do meu "hd" lotou. Tah cheio. E, automaticamente, comecou a fazer uma limpeza pra garantir espaco pra memorias novas. Sem muito criterio nao: vai apagando o que vem pela frente. Tah, eu sei, eu nao sou tao velha assim. E nao vivi nada se comparar minha vida com a de outras pessoas, eu sei. Nao entremos nesse merito. Nao eh esse o tom. O fato eh que eu tenho esquecido. Coisas importantes, pessoas, partes de mim. E eh triste, nao?

Dei-me conta de tal fato dias desses em que frequentei o famoso Ginasio Celso Morbach (se nao conhece, google it!) num grandioso evento na minha cidade natal. Comecei olhar pros lados, pras pessoas. Rostos conhecidos, muito familiares, mas quem eram essas pessoas? Alunos, ex-colegas, pessoas que algum dia fizeram parte da minha vida de tal forma. E me deu uma sensacao de vazio. Vazio misturado ah agonia. Como poderia eu esquecer? Eu sei, too much drama for nothing. Mas me afetou.

Eh triste ver pessoas que a gente ama partir -seja pra outro lugar, seja pra sempre, seja pra fora de nossas vidas - mas, mais triste ainda eh nao lembrar. Nao poder lembrar. Nao conseguir. Ter vivido e poder buscar na caixinha aqueles bons momentos pra dar umas boas gargalhadas (ou derramar algumas lagrimas pra lavar a alma) posteriormente. Esquecer. Nao tem coisa pior.

Num momento desses, resta o consolo de saber que o que eh essencial nunca vai ser esquecido (a nao ser que o Alzheimer me "pegue" algum dia). Que eu nunca vou esquecer como foi e com que foi meu primeiro beijo. As tardes na casa da Voh Leboutte. O pudim da minha mae. O primeiro lp dos Beatles. O primeiro amor. A primeira decepcao. As grandes amigas dos tempos de colegio (por mais que vivam em mundos completamente diferentes do meu agora). Os tempos aureos da faculdade. O saudoso CCAA. A folclorica Sao Leopoldo. Os abracos verdadeiros pelos aeroportos da vida. Os jogos e todo sofrimento com o meu time. A batalha dos aflitos. O time do Felipao e o do Mano. A primeira aula de Ingles que eu dei. A distincao no TCC. Aquele friozinho na barriga ao pisar no John Lennon Airport. A Africa do Sul. A Europa. O Mexico. A querida Cultura Inglesa e seus maravilhosos alunos. Os amigos da Capital. Os amigos do Interior. Os amigos do mundo. A melhor amiga em SP. Os Leite-Pinto.

Eh, o que eh mais importante fica. Pra sempre. E bom mesmo eh saber que tem muito mais por vir. Lembrando depois ou nao.

Pero que las hay, las hay...



Eu nunca acreditei em bruxaria. No esotérico. No sobrenatural. Sempre fui mais pé no chão mesmo. Um pouco cética, talvez. Sempre desconfiei de horóscopos e combinações astrológicas. (Será que meu signo combina com o dele?, eis a dúvida!) Mesmo sempre questionando tudo isso, tem um lado meu - confesso - que no fundo, no fundo, não desacredita nessas bobagens todas. Já li muito horóscopo, já pedi mapa astral via Internet, já fui em cartomante. Ah, o desespero... A-ha! Palavra-chave essa: desespero.


O tal do desespero é o que nos faz, muitas vezes, buscar aquela consulta astral na Internet. Calcular o número astral do dia (será que isso existe ou é invenção minha?), usar a cor que o Diário Gaúcho mandou (sacaneei agora!) ou ir na Igreja todo domingo ganhar a benção do Padre (cuja fé e estilo do vida são muito questionáveis, perdoem-me os fiéis). Desespero. É esse son of a bitch que faz seres "esclarecidos" às vezes recorrerem às coisas mais estapafúrdias. Que tal uma simpatia pra trazer aquele cara de volta à tua vida??? É...


Tem gente que se presta a esse tipo de coisa. E eu não questiono nem caçoo de fés e crenças. Mas realmente me surpreende. Surpreende o fato de pessoas colocarem assim, do nada, o futuro de suas vidas nas mãos de seres sobrenaturais. Será que existe simpatia pra acabar com a fome mundial? Ou existe numerologia que ajude as pessoas a serem menos suscetíveis a erros? Ou à estupidez?


Como dito anteriormente, muito horóscopo já li na vida: confesso. Já tive meus momentos de acreditar em recompensa (quem planta o bem, colhe o bem), em sorte e em inveja também. Ah, a maldita inveja. Essa eu nem penso mais, porque, no meu cérebro tal sentimento é incabível. Eu nasci genuinamente burra mesmo. Eu torço pela felicidade alheia e, não importa quem seja, acredito que conseguimos esquecer velhas desavenças e desejar o bem ao próximo. É, eu sei: burra!


Todo esse blablabla sem fim tem um porquê. Nesses últimos dias eu andei passando por meio de um furacão e comecei a pensar nessas coisas malucas todas. E tenho escutado histórias mais bizarras ainda relacionadas a tudo isso. Eu até tento acreditar, deixar meu ceticismo de lado e crer nas forças (tanto do bem ou do mal) pra explicar certos acontecimentos em minha vida e vidas paralelas... Mas, bah, confesso, é difícil de comprar essa ideia.


Se promessas, batuques, superstições, astrologia e afins realmente funcionassem, todo Gre-nal daria empate, o Um milhão e meio do BBB seria de todos nós, não existiria fome nem corrupção. Todos namorados de signos "compatíveis" com o nosso teriam tornado-se esposos. (E o que "all the single ladies" diriam numa hora dessas?). E os de signo incompatível? Ih, melhor nem se aproximar... Se todos desejos e pensamentos (tanto positivos como negativos) realmente movessem o mundo, as coisas seriam diferentes. Se Deus fosse Pai de todos, hm, enfim, não entrarei nesses méritos... E, se fosse brasileiro, como gostam de insistir, o que o pessoal da favela no Rio teria a dizer?


Cada um com sua fé. Cada macaco no seu galho. Eu continuo no meu. Ele balança às vezes, nem sempre é seguro e confortável, mas é mais lógico. At least for me. E ele me sustenta. E não me deixa cair. E por enquanto, essa ideia continua me satisfazendo. Independente da posição dos astros ou das bruxas feiticeiras ao meu redor.


domingo, 11 de abril de 2010

You only live once


You only live once. Apesar de existir um filme do agente secreto James Bond entitulado "You only live twice", eh somente mesmo na ficcao que isso eh possivel. Infelizmente. Acabei de voltar de um encontro com a parte Leite-Wiklicky da familia. E dias como o de hoje me fazem querer tornar verdade o poder "live twice". Pra ter a oportunidade de viver tudo o que foi bom novamente, reparar erros do passado, nao deixar certas coisas que sao extremamente importantes de lado - por descuido mesmo - e desfrutar mais dos prazeres que eh ter uma familia tao bacana.

Encontros como esse que, ah medida em que o tempo passa, vao ficando mais raros, me deixam feliz e me fazem entrar em contato com uma parte minha que nunca vai morrer: a minha infancia, a minha base. Rever meus primos, agora pais de familia (ou encaminhado-se para) e ocupando cargos de extrema responsabilidade em seus empregos traz ah tona aquela parte da minha vida (e da deles tambem) em que tudo era festa e brincadeira. Eu e meu primo Mauricio somos os mais novos da linhagem dos Leite. A minha mana e os outros rapazes jah estao alguns anos ah frente. E talvez tenha sido esse o fato que nos separou no periodo pre e pos adolescencia. A familia Leite ocupa grande e vital parte das minhas lembrancas de dias de ocio: os primos, mesmo mais velhos, brincavam com a gente, e, juntos, criavamos filmes, passavamos tardes assistindo a fitas de video e imersos em filmes de ficcao cientifica e fantasia. Tempo bom aquele.

A diferenca de idade obviamente nos separou no inicio dos anos 90. Os guris, jah com seus quase 20 anos, tinham coisas muito mais interessantes pra fazer do que brincar com a prima, claro. Crescemos, seguimos caminhos diferentes, mas, nao, nunca nos separamos. Os reencontros foram ficando cada vez mais e mais raros e, a falta de tempo e todos aqueles outros blablablas da vida fizeram com que nossas vidas tomassem outros rumos. Pena.

Felizmente (porque tudo que eh ruim tem um lado bom e vice-versa), certas coisas na vida nunca mudam. Sangue eh sangue. E agora, todos (menos eu) casados, bem-resolvidos e crescidos, sabemos que continuamos os mesmos. Os Leite. Gremistas. Apaixonados por cinema. Por musica. Com um senso de humor incomparavel e invejavel. E sao nesses momentos em que eu queria poder viver duas vezes.

Sao risadas e historias incomparaveis, sao olhares trocados que dizem tudo. E sao dias como o de hoje que me mostram o quao importante eh ter uma familia estruturada - maluca e meio desunida as vezes, diga-se de passagem - mas sempre leal. E lealdade com os seus eh tudo nessa vida. As criancas da familia trazem uma alegria pueril dificil de descrever. Eh ver e sentir. Tenho pensado muito nisso ultimamente - o que vai ser a MINHA familia no futuro. Ou seja, serah que eu vou casar e ter filhos? A ideia nunca me atraiu, mas talvez o fator idade + terapia tenha mudado, little by little, isso em mim. Nao me repugna mais o pensamento de casar. Muito menos o de ter um filho. Eh, eu acho que eu serei mae um dia. (sente-se caso esteja em peh).

O "queria viver duas vezes" lah do inicio deve-se ao fato de que, assim, talvez eu nao teria deixado a distancia entre idades e interesses afastar a familia. Teria aproveitado mais essa parte da minha vida. Mas nao, nao dah. Paciencia. Por ora, resta o consolo de saber que a coisa mais importante na vida eu tenho. E ela eh parte de mim. E isso ninguem me tira. Eh sangue. E nem a morte separa. Soh espero que reencontros como esse nao virem somente mais uma foto num porta-retrato empoeirado na sala da minha mae. Do fundo do meu coracao.


domingo, 4 de abril de 2010

Ressurreicao


Eu nunca fui religiosa. Nunca fui por circunstancias da vida mesmo. Venho de familia de pai descrente. Ponto. E de uma mae que acredita em Deus, sim. Mas nunca foi a favor de fanatismos. Professora de historia, tah explicado. Caso minha criacao tivesse sido diferente, talvez agora eu estaria "missionando" em algum povoado pobre na America Latina. Mas nao.

Jah causei vergonha na familia por, mesmo estudando em colegio catolico, nao saber oracoes (ateh hoje nao sei o Pai Nosso!) e fugir de missas e igrejas. Tambem nao casarei como manda o ritual cristao e muito menos de branco. Nunca pensei em ter filhos (ateh pouco tempo, mas isso eh assunto pra depois). Nenhuma dessas coisas me torna uma herege. Muito menos uma anticristo. Soh sou. Ou melhor, nao sou. Sem culpas. Minha religiao nao permite isso.

A coluna do Moacyr Scliar hoje na ZH tava pra mim. Ele falava exatamente o que eu penso desse momento simbolico que eh a tal da Pascoa. Eh momento de ressurreicao. Isso mesmo. Mas ressurreicao propria. De nos mesmos: do que fomos, somos e algum dia seremos. Talvez seja um momento mesmo para que, ao inves de somente empanturrarmos com chocolates (guilty!) e desfrutarmos do ocio e prazeres de um feriadao (guilty again!), paremos e reflitamos um pouco. Aquela coisa boba mesmo de colocar tudo na balanca e perguntarmos onde queremos chegar ou estar. Ou ser. Whatever.

Viver eh foda, morrer eh dificil, jah dizia o grande idolo de teenage days, RR. "Morrer", nesse caso, eh deixar pra tras tudo que nao nos serve mais. O que nao nos faz bem. O que nao faz mais diferenca. Deixar uma parte nossa morrer eh sempre dificil. Talvez por medo mesmo. Inseguranca. Muito provavelmente por conformismo tambem. O velho conhecido eh sempre mais atrativo e confortavel.

Mesmo achando que estou beeeem longe da tal perfeicao, nessa Pascoa creio que tem muito pouco de mim pra morrer e renascer. Uma dadiva, considerando meu historico de reclamacoes e indignacoes. E defeitos incontaveis. Um milagre ateh!

Eu, como Cristo, como tu, como eles, estou "ressurgindo" tambem. Pronta pro novo. Aceitando o velho como bom e memoravel. Encarando o futuro como um bom companheiro. Sem medo de reencontrar o passado pelas esquinas da vida. Sem culpa de acreditar que o que estah por vir serah muito melhor.

Daqui 365 dias serah tempo de ressurreicao again. Ateh lah, bom, espero que os dilemas sejam outros, os problemas menos tangiveis e a vontade de mudar-melhorar, eterna. Como o corpo de Cristo.

Amem.

sábado, 3 de abril de 2010

End of the line (Traveling Wilburys)





Well it's all right, riding around in the breeze
Well it's all right, if you live the life you please
Well it's all right, doing the best you can
Well it's all right, as long as you lend a hand

You can sit around and wait for the phone to ring, at the end of the line
Waiting for someone to tell you everything, at the end of the line
Sit around and wonder what tomorrow'd bring, at the end of the line
Maybe a diamond ring


Well it's all right, even if they say you're wrong
Well it's all right, sometimes you gotta be strong
Well it's all right, as long as you got somewhere to lay
Well it's all right, every day is judgment day

Maybe somewhere down the road a way, at the end of the line
You'll think of me and wonder where I am these days, at the end of the line
Maybe somewhere down the road when somebody plays, at the end of the line
Purple haze

Well it's all right, even if push comes to shove
Well it's all right, if you got someone to love
Well it's all right, everything'll work out fine
Well it's all right, we're going to the end of the line

Don't have to be ashamed of the car I drive, at the end of the line
I'm just glad to be here, happy to be alive, at the end of the line
And it don't matter if you're by my side, at the end of the line
I'm satisfied

Well it's all right, even if you're old and gray
Well it's all right, you still got something to say
Well it's all right, remember to live and let live
Well it's all right, best you can do is forgive
Well it's all right, riding around in the breeze
Well it's all right, if you live the life you please
Well it's all right, even if the sun don't shine
Well it's all right, we're going to the end of the line


quinta-feira, 25 de março de 2010

Sobre as paixoes...




A Wikipedia diz que "A paixão é um forte sentimento que se pode tomar até mesmo como uma patologia provinda do amor". Alguns diriam que paixao eh desejo; Outros, que eh amor intenso; Alguns outros ainda que paixao eh passageira. Independente de qual tua definicao de paixao seja, creio que eh senso comum dizer que sem paixoes nao se vive. Ateh se vive, mas nao se vive bem.

Tenho me pegado pensando muito em paixoes atualmente. Nao soh da paixao em relacao ao sexo oposto (ou ao mesmo sexo, pq nao?). Falo de paixao mesmo. Latu sensu. Paixao pela vida, pelo trabalho, amigos, arte, , etc.

Paixao eh o que nos motiva. Undoubtedly. A vida com paixoes eh sempre mais colorida e significativa. Enche os olhos de cor e o coracao de esperancas. Paixao. Sem ela, nao dah.

Paixao pode derivar outros sentimentos tambem: euforia, loucura, exageros, frustracoes, tristezas... Paixao nem sempre eh boa e nem sempre eh correspondida na mesma medida. Eu, por exemplo, sou uma incondicional apaixonada por musica, o que nao faz de mim uma grande cantora ou baterista. A musica, talvez, nao seja apaixonada por mim. A paixao por livros nao fez de mim uma escritora. E a paixao pela vida nao fez de mim uma sabia filosofa. Mas a paixao pelas coisas faz de mim um ser mais completo e vivido.

Pensando em paixoes, aquela mesma em que todos devem tar pensando mesmo - stricto sensu - em relacao ao ser humano com um "par", pode nos levar a extremos. Eu sempre me apaixono ao extremo: por tudo e por todos. E na mesma medida em que me apaixono, desapaixono. A vida e seus misterios. A paixao, jah disse meu guru dias desses, eh a gente que constroi. Como se fosse um castelo. Paixao eh unilateral. Tua. E de mais ninguem. Te cega, as vezes. Pode te botar pra baixo tambem. Apaixonar-se eh um processo rapido e extasiante. O desapaixonar-se, no entanto, as vezes pode vir a ser longo e dolorido. Mas nunca impossivel.

Paixoes vem e vao. Assim como tudo na vida, sem querer cair no redundante. Paixao, eh sim, quem sabe, efemera. Legal mesmo eh o tal do amor. Amor eh mais forte. Eh resistente. Esse sim eh O CARA.

Como eu sou meio "DE LUA", eu opto pelas paixoes. Assim a vida fica mais facil. Um pouco mais superficial, quissaz. Mas nao menos interessante. Paixoes arrebatam. Destroem. Fortificam. Mudam. E, com um pouquinho de sorte, serao reciprocas e eternas tambem.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Leaving on a jet plane



Eu sempre fui adepta à teoria de que existem diferentes perfis de pessoas. Tem aqueles que nasceram pra constituir família, casar, ter uma penca de filhos e renunciar todo egoísmo possível pra dar vazão ao altruísmo - digníssimo sentimento esse. Tem os que nasceram pra estudar, meter a fuça nos livros, passar horas em bibliotecas e laboratórios afora pra provar por A mais B que a teoria deles é melhor do que a de outrem. Tem gente que nasce com dom artístico. Tem gente que nasceu pra viver uma vida pacata e conformada. Outros nasceram pra política. Alguns pra nunca terem um porto-seguro. Muitos tantos nem sabe onde se encaixam. Independente de qual perfil cada um tiver, o que importa é que não existe certo nem errado. Existe felicidade. Satisfação com o caminho escolhido. Alegria em ser o que se é. E aceitar seu perfil com tudo que ele inclui: loucuras, paranóias, medos, inseguranças e muito mais.

A maioria das nossas escolhas é proporcionalmente influenciada pelo nosso "perfil de pessoa". Ou seria o contrário? Indagações à parte, eu sempre fui do perfil "o mundo é muito grande pra se ficar num lugar só". Eu sempre amei música, cinema, livros e arte em geral. E o fato de eu amar Inglês e ter escolhido dele a minha profissão já diz muito sobre mim. E sobre meu perfil: fadada a passar a vida como itinerante. Inquieta. Buscar conhecer cada vez mais do mundo parece ser intrínseco aos professores de língua estrangeira. É um sentimento meio que sem explicação de sempre querer saber como as pessoas vivem fora daqui, querer conhecer tudo e não se contentar com reportagens especiais do Globo Repórter ou com o Zeca Camargo perambulando pelos quatro cantos do mundo: We have to see it for ourselves.

Minha vontade imensurável de conhecer o mundo me acompanha desde pequena. Acho que se explica um pouco pelo fato de eu ter uma mãe professora de história e um pai que me apresentou ao British rock muito cedo, sem mencionar os filmes de James Bond, Spielberg e mucho mais. A curiosidade foi sendo cada vez mais aguçada. Queria muito ver tudo aquilo que eu via nos livros e nos filmes com meus próprios olhos. Sem contar a vontade constante de poder falar Inglês 24 horas por dia. Really appealing.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Muitos sonhos de viagem foram concretizados, tenho muitos outros ainda por planejar e conhecer. Uma certeza fica, sem dúvida: quanto mais se viaja, mais se quer. Aquela velha história do "quanto mais se estuda, menos se sabe". Viajar é um vício. Vício extremamente caro pra quem vem de família de classe média e sempre teve que arcar com os sonhos com o próprio suor do trabalho. Não me queixo, assim as coisas têm um gostinho melhor: o mérito é meu. Fiz e aconteci. E o cartão de crédito gritando no vermelho será dor de cabeça somente nos meses seguintes. Quanto mais se viaja, mais se quer conhecer do mundo. O que nos deixa mais inquietos e, infelizmente, descontentes com nosso dia-a-dia sometimes. Mas é investimento que fica. Será teu pra sempre. Na volta, todo mundo parece bastante interessado em ver fotos e ouvir causos. Decorridos 5 minutos, os bravos amigos já se entediaram de tanto falatório non-sense. Conclusão: viajar é intransferível. Ninguém tem culpa de não se interessar. A viagem é e sempre será tua. De mais ninguém. Um outro mundo visto pelos teus olhos. E certas impressões valem mais do que qualquer carro zero ou calça jeans de 300 reais.

Se eu pudesse, moraria num aeroporto. Amo-os. Sou fascinada por aquele corre-corre, aquela dinâmica toda de pessoas coming and going all the time. Sentimento inexplicável. Minha mãe (e Freud provavelmente concordaria) acha que eu tenho medo de criar vínculos e de assumir a vida adulta. Tou sempre querendo fugir. Buscando o inalcançável. Meu amor por Holden Caufield não é à toa, amigos. Talvez ela tenha razão. Agora, porém, isso é tudo muito irrelevante. A perspectiva de voar longas distâncias novamente me deixa eufórica e ansiosa: lá vou eu desbravar mais um pedacinho do mundo. Ficar mais uma vez enebriada com gente e culturas diferentes. 30 dias realizando um grande sonho e conhecendo um lugar que muito me encanta. Provavelmente me apaixonarei mais uma vez e voltarei com aquele aperto no coração de "por que isso sempre acontece comigo?". É ver pra crer. E, na volta, encarar a dura realidade de ter que ter um ponto fixo no mapa. Às vezes acho que sou louca e que faço as coisas pra pensar depois. Mas não, sem ilusões, essa sou eu e viajar faz parte de quem eu sou. Malditos perfis!